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Povos indígenas realizam marcha em Brasília contra projeto do governo Bolsonaro que abre terras tradicionais para exploração

Cimi - https://cimi.org.br
11 de fev de 2020

Lideranças indígenas da região Sul pedem ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que cumpra sua palavra e devolva projeto ao Executivo.

Por Assessoria de Comunicação do Cimi

Cerca de 50 lideranças indígenas dos povos Guarani, Guarani Mbya, Ava Guarani, Kaingang e Xokleng realizarão uma marcha em Brasília, na manhã desta quarta-feira (12), contra o Projeto de Lei (PL) 191/2020, do governo Bolsonaro, que autoriza a abertura de terras indígenas para mineração, garimpo, hidrelétricas, agronegócio e exploração de petróleo e gás natural. A marcha deve sair às 9h da Biblioteca Nacional e seguir pela Esplanada dos Ministérios até o Congresso Nacional.

As lideranças indígenas cobram do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, que devolva o projeto ao Poder Executivo. No ano passado, mais de uma vez, Maia se comprometeu publicamente com os povos indígenas a barrar a tramitação de qualquer projeto desta natureza.

Os indígenas dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul devem protocolar na Câmara dos Deputados um documento manifestando sua posição sobre o PL 191/2020 e cobrando Maia pelo compromisso assumido em 2019.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), em nota pública, definiu a proposta do governo Bolsonaro como um "projeto de morte" que busca autorizar "a invasão dos territórios indígenas".

Além do repúdio ao projeto do governo Bolsonaro, os povos Guarani, Guarani Mbya, Ava Guarani, Kaingang e Xokleng também reivindicam a demarcação de suas terras tradicionais e manifestam sua posição contrária à tese inconstitucional do marco temporal, que busca reinterpretar a Constituição Federal para restringir seu direito à terra.

Contexto de ataques aos direitos indígenas

O envio do PL 191/2020 à Câmara dos Deputados pelo governo Bolsonaro se dá num contexto de contínuos ataques aos direitos dos povos indígenas, inclusive no âmbito da Fundação Nacional do Índio (Funai).

O órgão indigenista oficial tem desistido de processos judiciais que discutem a demarcação de terras indígenas, alegando "desinteresse" e, recentemente, negou a distribuição de cestas básicas a comunidades indígenas ocupando áreas não demarcadas. Processos demarcatórios em estágio avançado também têm sido devolvidos à Funai pelo Ministério da Justiça, impedindo seu avanço.

A nomeação de um ex-integrante do grupo evangélico Missão Novas Tribos do Brasil para assumir a Coordenadoria Geral de Índios Isolados e Recém Contatados (CGIIRC), uma das áreas mais sensíveis da Funai, também gerou críticas de servidores, entidades indigenistas e uma ação judicial do Ministério Público Federal (MPF).

Delegação em Brasília

A delegação de lideranças indígenas da região Sul do Brasil permanece em Brasília durante esta semana, realizando manifestações e apresentando suas reivindicações a diversos órgãos públicos. Nesta terça-feira (11), participaram de atividades na Câmara dos Deputados.

Serviço

O que: marcha na Esplanada dos Ministérios contra o PL 191/2020
Quando: quarta-feira (12), às 9h (concentração na Biblioteca Nacional)
Onde: Esplanada dos Ministérios até o Congresso Nacional

Mais informações:
Adi Spezia (61) 99641 6256

https://cimi.org.br/2020/02/povos-indigenas-marcha-brasilia-contra-pl-1…

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