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Autor: Vinícius Bruno
02 de Jul de 2018
A representatividade dos povos indígenas na política ganha destaque com a pré-candidatura da líder Sônia Guajajara à vice-presidência da República na chapa encabeçada por Guilherme Boulos pelo Psol. Em Mato Grosso, o partido conta com dois pré-candidatos ao Legislativo, Matudjo Metuktire, de Colíder, que quer concorrer a uma vaga na Assembleia, e o Cacique Rondon, de Peixoto do Azevedo, que busca candidatura a deputado federal.
Em entrevista ao RD News Sônia pontua que tem fomentado junto às lideranças indígenas uma maior participação política, no que diz respeito à disputa eleitoral. Neste ano, 65 indígenas serão candidatos, sendo que 12 serão pelo Psol.
No país, o último indígena a possuir um mandato foi o cacique Xavante Mário Juruna, mato-grossense, mas eleito pelo Rio de Janeiro como deputado federal entre 1983 e 1987, tendo como principal bandeira a demarcação de terras indígenas.
Sônia avalia que hoje os povos indígenas são marginalizados, tratados sem nenhuma prioridade pelo governo federal, e enfrentam sangrentas lutas por defender suas terras contra fazendeiros.
Do outro lado da disputa por terra, o Congresso Nacional possui fortes nomes no cenário nacional, contando com 200 parlamentares na Câmara, que formam a Frente Parlamentar Agropecuária (FPA).
Em todo o país, existem cerca de 700 terras indígenas, das quais 400 têm processo de demarcação concluído. "Desde o impeachment da Dilma [Rousseff], com [Michel] Temer assumindo o governo, os processos de demarcação estão parados há dois anos. Temos que enfrentar muita burocracia e dificuldades", diz a pré-candidata. Sônia avalia que essa é uma situação de risco e insegurança para os 305 povos indígenas no Brasil. Em Mato Grosso existem 43 povos que falam mais de 30 línguas.
Além da demarcação de terras, outras políticas públicas estão na pauta indigenista, entre as quais saúde, educação e infraestrutura. "Mas uma das principais lutas é romper com o atual modelo político e econômico, sendo que este é baseado na exploração da mão de obra. É muito assustador esse discurso de conservadorismo e fascismo. Por isso, estamos trabalhando para conscientizar as pessoas, mobilizar as bases, para que as pessoas se motivem novamente e participem dessa construção".
Sônia avalia que está na hora do país ter um governo que inclua a população na discussão de pautas que tem interesse público, por meio de plebiscitos e referendos. A pré-candidata também pondera que a participação política dos indígenas é necessária para garantir mais voz às causas de interesse de tais povos.
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