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Populações marinhas podem entrar em colapso em 2048

OESP, Vida, p. A16
03 de nov de 2006

Populações marinhas podem entrar em colapso em 2048
Declínio da biodiversidade está relacionado à pesca predatória e poluição

Reuters

As populações de peixes e outros animais marinhos, como os moluscos, vão entrar em colapso em 2048 se a tendência de pesca e destruição de hábitats continuar no mesmo ritmo. O resultado pode ser a drástica diminuição da quantidade de comida para os seres humanos.

Uma análise de levantamentos científicos feitos desde os anos 60 e dos registros históricos de um período de mais de mil anos mostraram que a biodiversidade marinha - formada por peixes, crustáceos, pássaros, plantas e microorganismos - diminuiu dramaticamente, com 29% das espécies já em colapso.

Os cientistas calculam que em 2048 praticamente toda vida marinha deve estar na mesma situação, diminuindo 90%.

'Isso se aplica a espécies, como ostras, atum e peixes-espada', afirma Boris Worm, da Universidade de Dalhousie, no Estado canadense da Nova Escócia , coordenador do estudo publicado na mais recente edição da revista Science.

Mamíferos marinhos, como focas, baleias assassinas e golfinhos, também serão afetados. 'Se observarmos as pesquisas e estudos sobre todo o universo oceânico, vemos o mesmo cenário', diz Worm. 'Perdendo espécies, perdemos produtividade e estabilidade dos ecossistemas.' O pesquisador afirma ter ficado espantado com a tendência apontada pelo estudo.

Worm adverte que com as espécies em colapso, o oceano ficará mais fraco e menos preparado para se recuperar dos efeitos do aquecimento global, da poluição e da exploração excessiva. O declínio da biodiversidade marinha está largamente relacionado com a pesca predatória e destruição do meio ambiente. 'Essa perda da biodiversidade deixa os ecossistemas oceânicos mais vulneráveis', afirma o pesquisador.

Ele compara a diversidade do ambiente marinho com a diversificação dos investimentos financeiros. 'Com diversificação, eventuais perdas não têm tanto impacto.'

'Essa pesquisa mostra que teremos poucos sítios de pesca viáveis em 2050', diz o editor internacional da Science, Andrew Sugden. 'Isso funciona também para mostrar que ainda não é tarde para agir.'

Para recuperar áreas afetadas, reservas de vida marinha e zonas de pesca proibida precisam ser planejadas, sugerem Worm e outros autores do estudo.

Além dos benefícios para as comunidades costeiras, onde a pesca é uma indústria de importância crítica, há benefícios ambientais em reconstruir a biodiversidade marinha, afirmam os cientistas. 'Isso prova a eficiência de projetos como o Georges Bank, no litoral americano.'

Costas com ecossistemas afetados pela pesca excessiva são vulneráveis a espécies invasivas, surtos de doenças, enchentes e aumento da quantidade de algas.

De acordo com os pesquisadores, certos tipos de cultura aquática, como o tradicional cultivo chinês de carpas, usando vegetais descartados, também podem ser benéficas. Entretanto, fazendas marinhas que têm como alvo a criação de espécie de peixes carnívoros são menos eficientes.

OESP, 03/11/2006, Vida, p. A16

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