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Pesquisa da biodiversidade ganhará recursos de compensações ambientais

O Globo, Rio, p. 11
24 de Dez de 2012

Pesquisa da biodiversidade ganhará recursos de compensações ambientais
Diretriz foi anunciada por Minc com base em estudo da fauna marinha

PAULO ROBERTO ARAÚJO
pra@oglobo.com.br

O Rio será o primeiro estado do país a tornar obrigatória a destinação de recursos para a pesquisa da biodiversidade em todo caso de compensação ambiental. A adoção da diretriz, anunciada pelo secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, beneficiará programas de educação ambiental que atualmente atingem 500 mil estudantes. Minc decidiu investir na pesquisa com base no trabalho voluntário de biólogos marinhos que descobriram novas espécies no fundo do mar no costão da Praia das Conchas, no Peró, em Cabo Frio, conforme O GLOBO mostrou no domingo.
- Com o avanço da pesquisa feita pelos biólogos, o estado vai criar uma norma especial para a Praia das Conchas. Vamos levar para lá o programa Observadores da Natureza Marinha, semelhante ao Observadores dos Pássaros, com concursos para as melhores fotografias da fauna marinha. A Praia das Conhas é nossa nova prioridade - afirmou o secretário do Ambiente.
A fiscalização permanente para reprimir a pesca predatória no litoral fluminense, principalmente na Região dos Lagos e no Norte Fluminense, é medida prioritária defendida pelo Grupo de Estudos de Mamíferos Marinhos da Região dos Lagos (GEMRL), mantido desde março de 1999 pela Fiocruz. O biólogo Salvatore Siciliano, que coordena o grupo, critica o licenciamento ambiental de atividades industriais ao longo da costa.
- O problema da pesca é grave, e a fiscalização é incipiente. As operações só ocorrem eventualmente, quando deveriam ser permanentes para afastar os infratores, em sua maioria barcos procedentes de outros estados. É possível ver da terra os barcos fazendo arrasto a poucos metros da areia - lamentou Siciliano.
O coordenador do grupo de estudos considerou importante o trabalho dos biólogos que encontraram espécies raras na Praia das Conchas, onde a pesca predatória vem sendo denunciada há anos. Na semana passada, guardas-parque do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) enviaram para a Capitania dos Portos os nomes de barcos que faziam pesca de arrasto na região. A Capitania, em nota, informou que encaminhou a denúncia ao Ibama e ao Ministério da Pesca.
Siciliano contou ainda que, nos últimos anos, os técnicos do GEMRL constataram o aumento da quantidade de lixo despejado nas praias da Região dos Lagos e do Norte Fluminense, sobretudo nas regiões mais urbanizadas.

O Globo, 24/12/2012, Rio, p. 11

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