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Pacto pretende restaurar 17 milhões de hectares da Mata Atlântica

O Globo, Ciência, p. 29
08 de abr de 2009

Pacto pretende restaurar 17 milhões de hectares da Mata Atlântica
Recuperação de fragmentos promete elevar cobertura de 7% para 30%

Tatiana Farah

Entidades ambientalistas, governos, empresas e instituições de pesquisas firmaram ontem um pacto para recuperar, em 40 anos, 10% da Mata Atlântica, algo em torno de 17,4 milhões de hectares de floresta em onze estados brasileiros. Chamado de "Pacto pela Restauração da Mata Atlântica", o movimento pretende incentivar a criação de programas de recuperação da floresta nativa e monitorar os projetos já em operação nos estados.
A formulação do pacto estava em estudo há dois anos. Segundo Miguel Calmon, coordenadorgeral do Conselho de Coordenação do movimento, foi criado um grupo de trabalho para fazer um novo mapeamento da área de Mata Atlântica brasileira, chegando-se a 111,5 milhões de hectares em todo o país, grande parte em progressivo processo de deterioração (apenas 28,6 milhões de hectares conservam a vegetação nativa, cerca de 7,26%).

Segundo a Lei da Mata Atlântica, a área total reconhecida no país é de 131,1 milhões de hectares, a maior parte concentrada em Minas Gerais (27,6 milhões).
- A Mata Atlântica é altamente fragmentada, queremos ampliar a área de cobertura desses atuais 7% para 30% até 2050. Ela tem um papel fundamental na mitigação das mudanças climáticas -- afirmou Calmon, que dirige a ONG TNC (The Nature Conservancy).
Região dos Lagos derruba mais do que favelas
Segundo o pesquisador Ricardo Rodrigues, do Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal (Lerf), da Esalq-USP, o cálculo de chegar a uma cobertura de 30% de mata restaurada até 2050 é possível porque, além dos 7,26% de floresta completamente preservada, o mapeamento localizou "fragmentos" em estágios diferentes de preservação que correspondem a 13%.
O movimento reúne entidades como SOS Mata Atlântica, Instituto Bio-Atlântica, Associação Mico-Leão-Dourado, TNC (The Nature Conservancy) e WWF-Brasil, o Ministério do Meio Ambiente e os governos de Rio, São Paulo e Espírito Santo.
No Rio, que já foi praticamente coberto pela Mata Atlântica, com 4,26 milhões de hectares, há uma área de mata nativa de 1,34 milhão de hectares. Com o pacto, essa área cresceria cerca de 70%, aumentando a cobertura vegetal em 939,8 mil hectares.
- Hoje, temos dois grandes problemas para a preservação florestal: um é a manutenção da pecuária extensiva, que ocupa grandes áreas, com baixíssima produtividade e geração de emprego, e o outro é a expansão urbana irregular-- disse o diretor de projetos do Instituto Bio-Atlântica, Beto Mesquita, para quem o Pacto pode trazer grandes mudanças no estado.
O ambientalista explica que o perigo da expansão urbana está mais na Região dos Lagos do que nas favelas:
- Diferente do que pode parecer, o grande problema de área, no presente, não são as favelas na cidade do Rio de Janeiro - diz Beto Mesquita. - Os números nas favelas do Rio são bem pequenos. Os últimos dados do Instituto Pereira Passos (IPP) mostram que, nos últimos dez anos, houve uma expansão horizontal, de ocupação de área, de menos de 7%.
O grande problema está na Região dos Lagos, nos loteamentos irregulares e na especulação imobiliária.
Segundo Alba Simon, superintendente de biodiversidade da Secretaria do Ambiente do Estado do Rio, o governo entrou no pacto com programas como o ICMS Ecológico, que incentiva as prefeituras a criar unidades de conservação. n

O Globo, 08/04/2009, Ciência, p. 29

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