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A onda é Jovens índios são educados em suas próprias línguas

Jornal do Tocantins-Palmas-TO
Autor: Rubens Gonsalves
14 de jan de 2002

Para valorizar e preservar a cultura indígena no Tocantins, índios de todas os povos recebem aulas em suas próprias línguas. Trata-se de um projeto de educação indígena, coordenado pela Secretaria Estadual de Educação (Seduc). No Departamento de Coordenação em Educação Indígena, sediado em Palmas, trabalham três índios Karajá. Esta semana a equipe do Jornal do Tocantins (JTo) conversou com dois deles para saber quem são, o que fazem e como vivem. Os dois são da aldeia Santa Isabel, na Ilha do Bananal, são universitários e há alguns anos se mudaram para a Capital em função dos estudos.

Eles defendem a preservação de suas culturas. Mas, acima de tudo, são a favor da liberdade de escolha de seus irmãos de tribos. Para o Waxiy Maluá Karajá, ainda existe preconceito em relação aos índios que deixam suas tribos para seguir rumos diferentes. "O índio é tão capaz como qualquer outro (não-índio) de aprender, só precisa de oportunidade". Segundo ele, ainda persiste a idéia de que índio tem que viver em suas respectivas tribos.

Estudante do 3ª ano de Ciências Contábeis na Unitins, Waxiy saiu muito cedo de sua aldeia. Lembra que na época só era oferecido como estudo até a 4ª série do ensino fundamental. Atualmente até a 8ª série. Por esse motivo, não teve problemas em se adaptar em Palmas. Na Seduc, ele lida diariamente com documentos sobre educação indígena e é um dos responsáveis pela distribuição de materiais escolares do projeto.

Já o também técnico em educação indígena, Kohalue Karajá, optou pelo curso de Direito na Unitins. Ele trabalha no acompanhamento do projeto e diz que gostaria de ministrar aulas nas aldeias, só não o faz por causa da faculdade. A exemplo de Waxiy, ele saiu cedo de sua tribo. Já trabalhou em Goiânia e há três anos está envolvido no programa de educação indígena. Sua intenção, após concluir a faculdade, é fazer uma especialização na área de Educação Indígena e ensinar seus "irmãos".

Abrangência
Atualmente o programa, que acontece desde 91, conta com 64 escolas e atende 2.771 alunos de 5ª a 8ª séries. Envolve todos os povos indígenas tocantinenses, como Xerente, Javaé, Apinajé e Krahô que vivem em aldeias distribuídas por diversas regiões do Estado. De acordo com a Seduc, o programa tem como finalidade a formação continuada de professores e alunos, que recebem materiais didáticos e orientações pedagógicas através de uma equipe técnica da Secretaria. A meta é implantar também o ensino médio nas aldeias, através de um processo gradativo.

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