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Objetivo é desenvolvimento limpo

OESP, Vida, p. A26
Autor: ESCOBAR, Herton
14 de Nov de 2009

Objetivo é desenvolvimento limpo

Herton Escobar

A ministra Dilma Rousseff pode não gostar da palavra "meta", mas é exatamente com isso que ela se comprometeu ontem. No complicado glossário político-diplomático da Convenção do Clima das Nações Unidas, "meta" significa uma obrigação de reduzir emissões X% abaixo do que se emitia no passado. É o tipo de palavra que só deveria ser direcionada ao países desenvolvidos, culpados pelo aquecimento global.

Já no vocabulário das pessoas comuns, "meta" significa um objetivo a ser alcançado. Simplesmente isso. Daí a dificuldade em entender a reação raivosa do governo toda vez que alguém proferia essa palavra em território nacional. Se o País está mesmo determinado a controlar suas emissões e fazer sua parte no combate às mudanças climáticas, é mais do que razoável esperar que isso seja colocado na forma de metas.

Foi o que aconteceu ontem, finalmente. Podem dizer que a meta não é ambiciosa o bastante, mas pelo menos é uma meta. Resta saber se é uma meta do Brasil ou do governo Lula - duas coisas bastantes diferentes. Afinal, 2010 é ano de eleição, e quem garante que um governo de 2020 vai se preocupar em honrar uma promessa de 2009? Ninguém.

Se o compromisso é para valer, então que seja lei. Apesar dos receios da ministra Dilma de que isso poderia estrangular o desenvolvimento do País, o Brasil só tem a ganhar com o controle de suas emissões. Vejamos os dois pontos principais da meta: reduzir o desmatamento da Amazônia em 80% e o do Cerrado, em 40%. O que poderia ser melhor do que isso?

O desmatamento da Amazônia é quase todo ilegal. Não gera riqueza para o País. Pelo contrário, só o empobrece. No Cerrado, vários estudos já mostraram que, com um pouco de tecnologia e organização, é possível dobrar a produção agrícola do País sem derrubar mais nenhuma árvore ou arbusto sequer. No campo energético, temos o etanol. Temos sol e vento em abundância, que podemos aprender a aproveitar, para quando o petróleo no fundo do mar acabar.

Reduzir emissões não é travar o desenvolvimento. É incentivá-lo na direção certa.

OESP, 14/11/2009, Vida, p. A26

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