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Obama quer usar vazamento para aprovar lei

OESP, Vida, p. A20
16 de Jun de 2010

Obama quer usar vazamento para aprovar lei
Em discurso à nação na noite de ontem, o presidente dos Estados Unidos frisou importância da legislação para diminuir a dependência de petróleo

Patrícia Campos Mello

Em pronunciamento à nação na noite de ontem, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, usou o vazamento de petróleo no Golfo do México para pressionar o Congresso a aprovar uma lei de energia e mudança climática. E exigiu que a BP, que opera o poço, "reserve todos os recursos que forem necessários para compensar trabalhadores e empresas afetados pela imprudência da companhia".
Horas antes, cientistas haviam divulgado nova estimativa para o volume de petróleo que vaza, pior que as anteriores. Segundo os dados, escapam de 5,56 milhões a 9,54 milhões de litros por dia - o cálculo anterior era de, no máximo, 8,33 milhões.
Há quase dois meses o petróleo sai de um poço a cerca de 80 quilômetros da costa da Louisiana. O derramamento já equivale a mais de oito vezes o volume derramado pelo navio Exxon Valdez no Alasca, em 1989, o mais grave acidente até então.
Segundo Obama, que se reúne hoje com os líderes da BP na Casa Branca, será estabelecido um "fundo de caução" de bilhões dólares depositados antecipadamente, de onde serão retirados os recursos para cobrir limpeza e indenizações. "Esse fundo não será controlado pela BP, para garantir que todas as indenizações sejam pagas rapidamente e de forma justa", disse. "Será administrado por uma entidade independente."
A Casa Branca também quer que a BP subsidie os salários daqueles que perderam seu sustento por causa da suspensão da pesca e das perfurações de petróleo. A empresa resiste à ideia e o assunto será discutido hoje.
No discurso de ontem, Obama falou durante 15 minutos do Salão Oval, com transmissão em rede nacional. Foi a primeira vez que ele se pronunciou do local, reservado para discursos de impacto, como os feitos pelo ex-presidente George W. Bush nos atentados de 11 de setembro.
Ele usou o derramamento do poço operado pela empresa BP como mote para estimular legisladores a aprovar uma lei que está empacada no Senado e que reduz a dependência de petróleo. "A tragédia que se desenrola em nossa costa é um alerta doloroso para a necessidade de abraçarmos agora um futuro de energia limpa", disse Obama, que não detalhou o que quer ver na lei.
Obama também anunciou Michael Bromwich como novo diretor do Serviço de Gerenciamento de Minerais, agência encarregada de supervisionar as empresas que exploram petróleo no país. A negligência da agência em supervisionar a BP foi um dos fatores que levaram ao desastre ambiental.
O presidente anunciou também o estabelecimento de uma Comissão Nacional para investigar as causas do acidente e fazer recomendações para que nada desse tipo volte a acontecer. "O derramamento do golfo é como uma epidemia, que vamos combater durante meses ou até anos", disse.
Restauração. Obama divulgou a criação de um plano de restauração do golfo, para cuidar da recuperação da região a longo prazo, com participação de moradores. Ele também afirmou que, nos próximos dias ou semanas, novas medidas implementadas pela BP vão "capturar até 90% do petróleo vazando do poço". E, até o fim do verão americano, segundo Obama, estará pronto um poço auxiliar, que deve finalmente conter o vazamento.
A BP afirmou anteontem que já gastou US$ 1,6 bilhão com a limpeza das regiões afetadas. Considerando que a empresa deve enfrentar US$ 14 bilhões em multas ambientais se conseguir tampar o vazamento até agosto e mais até US$ 20 bilhões do fundo de indenização, a conta chega aos US$ 35,6 bilhões - valor bem maior que os US$ 5 bilhões estimados inicialmente.

Cronologia do vazamento

20 de abril
Acidente na plataforma mata 11 funcionários.
22 de abril
Petróleo começa a vazar do poço ligado à platafoma, que afundou.
8 de maio
BP tenta conter o vazamento, mas tática não é bem-sucedida.
31 de maio
Com nova tática, BP passa a recolher parte do óleo que vaza.

OESP, 16/06/2010, Vida, p. A20

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100616/not_imp567257,0.php

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