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No Dia Nacional do Índio, sessão pública discute problemáticas indígenas

Primeira Edição (AL) - http://www.primeiraedicao.com.br/
Autor: Lídia Lemos
19 de abr de 2010

No Dia Nacional do Índio, 19 de abril, uma sessão pública na Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas (ALE), que discute a problemática indígena marca a data comemorativa. Parlamentares, representantes das comunidades indígenas de Alagoas, da Fundação Nacional do Índio (Funai) e Fundação Nacional de Saúde (Funasa), estudantes da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e particulares, lotaram a sede da Casa Tavares Bastos na tarde desta segunda-feira.

Representantes das comunidades aproveitaram a oportunidade para pedir apoio aos parlamentares para solicitar a criação de grupos técnicos (GT) de identificação e demarcação dos territórios tradicionais, como também a indenização com os impactos provocados pela duplicação da BR-101 e da Transnordestina.

Para o deputado Judson Cabral (PT), que convocou a sessão, discutir essa problemática é mais que um apoio é um dever do Legislativo. "Essa está sendo uma das audiências que estamos discutindo em prol dos menos favorecidos. A temática é trazer à Casa todas as minorias", colocou o Cabral, que se fez presente à sessão, que só teve dois parlamentares presentes. Além dele o presidente da Casa, deputado Fernando Toledo (PSDB) também acompanhou a audiência pública.

O professor Jorge Vieira, interpreta a sessão pública direcionada as questões indígenas, como um marco histórico na sociedade alagoana. "Essa sessão é histórica, sem dúvidas trata-se de um ganho para as comunidades indígenas. Precisamos discutir as questões de assistência à saúde, política de educação e a demarcação de terras", disse.

O cacique Paulo Antônio, da comunidade Kalancó, do município de Água Branca, sertão alagoano, falou a reportagem do Primeira Edição, que a grande problemática enfrentada pelas aldeias é a demarcação dos territórios. " Sem a demarcação das terras até a educação das crianças na comunidade fica prejudicada. Eles têm que sair das aldeias para estudar na cidade, isso não deve acontecer," expôs o cacique. Essa problemática, que engloba a maioria das terras indígenas em Alagoas, ainda não foi regularizada.

Uma preocupação do professor é o andamento das obras de duplicação da BR-101 e da Transnordestina, que segundo ele, se sobrepõem sobre as áreas indígenas Kariri-Xokó, Karapotó, Wassu-Cocal e Xucuru-Kariri. Jorge Vieira acrescentou que as obras acarretarão impactos irreparáveis ao meio ambiente e diminuição dos espaços territoriais já reduzidos.

Esse ano também está sendo comemorado cem anos de indigenismo oficial. Em Alagoas, ao longo de muitas décadas, as lideranças indígenas lutam pelo reconhecimento étnico e garantia dos direitos históricos de

seus povos, principalmente pela demarcação definitiva dos territórios tradicionais. Entretanto, o processo administrativo de identificação encontra-se paralisado, apesar de constantes mobilizações e cobranças junto aos órgãos governamentais.

Tradição

Também como comemoração ao dia, para a abertura da sessão os índios fizeram o 'Toré de Índio. Para os índios Xucurus-Cariris, El-U-KA é o senhor do mundo e criador de todas as coisas. Deus para os católicos. Toré é o verbo encarnado, elemento de ligação entre El-U-KA e os homens. Corresponde a Jesus para os católicos.

Para agradecer e agradar a essas divindades, ou para rezar suas orações, os cablocos dançam em círculos, fazem movimentos coreográficos simples e ritmados. Ora, os brancos ouvindo os índios dizerem quem iam cultuar Toré, entenderam que a dança ritual possuia esse nome, e Toré passou a designar, para os homens brancos, a dança dos índios. Esse erro de interpretação permanece até hoje.

http://www.primeiraedicao.com.br/?pag=politica&cod=6633

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