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Mundurukus fazem protesto diante de ministérios

O Globo, País, p. 9
12 de jun de 2013

Mundurukus fazem protesto diante de ministérios
Indígenas querem ser recebidos pelo ministro Joaquim Barbosa

BRASÍLIA- Parte do grupo de índios que ocupa a sede da Funai em Brasília fez ontem uma caminhada na Esplanada dos Ministérios, com protestos diante de alguns prédios. O primeiro ato foi em frente ao Ministério de Minas e Energia. Depois, os índios seguiram para o prédio do Ministério da Justiça e para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Os índios, na sua maioria da etnia munduruku, estão desde a semana passada em Brasília. Eles são contra usinas hidrelétricas na Amazônia, principalmente a de Belo Monte, no Pará, e querem ser ouvidos com antecedência sobre a construção desses empreendimentos, conforme prevê a convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
No Ministério de Minas e Energia, eles protocolaram um documento com suas reivindicações e foram recebidos por Mauro Sousa, assessor da Secretaria Executiva da pasta. Sousa disse que o governo está disposto a ouvi-los em suas comunidades sobre os empreendimentos que afetam suas terras, mas explicou que o governo não é obrigado a seguir a deliberação dos índios.
- A opinião deles será levada em conta. Mas a convenção 169 diz que nenhuma comunidade tem direito a vetar (o empreendimento). Quem decide é o governo - disse Sousa.

AUDIÊNCIA COM BARBOSA

No STF, eles pretendiam se encontrar com o presidente, ministro Joaquim Barbosa.
- Ocupamos lá (em Belo Monte) para chamar a atenção para que isso não venha a acontecer novamente. Belo Monte foi construída e o nosso povo não foi ouvido - disse Jairo Munduruku, porta-voz do grupo. Depois de passar aproximadamente três horas em frente ao STF, os índios foram informados de que só poderão ser recebidos hoje por Barbosa. O grupo decidiu retornar, então, ao prédio da Funai, ocupado no início da noite de segunda-feira. A ideia do grupo é deixar Brasília e retornar aos estados depois de eventual audiência com Joaquim Barbosa.
No caminho para a Funai, eles passaram pelo Ministério da Justiça. Lá, chegaram a pescar no espelho d'água, usando arco e flecha. Uma reunião da ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, com representantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) estava marcada para ontem, mas foi cancelada. O objetivo era discutir possíveis soluções para o conflito envolvendo índios contrários à construção de empreendimentos hidrelétricos na Amazônia e a continuidade das demarcações de terras indígenas.

O Globo, 12/06/2013, País, p. 9

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