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Minc volta a trocar farpas e diz que precisa defender Lobão ''da extinção''

OESP, Nacional, p. A8
16 de jun de 2009

Minc volta a trocar farpas e diz que precisa defender Lobão ''da extinção''

Fabiana Cimieri e Célia Froufe

Apesar da promessa ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que não entraria mais em atrito com os colegas da Esplanada, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, rebateu ontem as críticas do titular de Minas e Energia, Edison Lobão, para quem o País só usa um terço da capacidade hidrelétrica por causa de dificuldades e embaraços no setor ambientalista.

"Eu defendo o Lobão, porque temos que defender todas as espécies da extinção", ironizou Minc. "Tenho tido grandes acordos com ele e quero acreditar que esses entraves não sejam da nossa alçada."

Minc garantiu que, das 18 hidrelétricas em processo de licenciamento, só cinco estão à espera de pareceres na sua pasta. As outras, informou, estariam com problemas para obter a licença estadual, com a Fundação Nacional do Índio (Funai) ou o Ministério Público.

"Três nós vamos dar o licenciamento e duas não vamos dar", adiantou. "Para vários empreendimentos nós vamos dizer não e o presidente Lula tem consciência disso. Parafraseando ele, nunca se deu tanta licença na história desse País."

Entre as usinas que devem obter a licença está a de Belo Monte, no Pará - o maior empreendimento do gênero hoje, com potencial de 11 mil megawatts. O processo de licenciamento está parado porque uma organização não-governamental conseguiu liminar suspendendo as audiências públicas.

O ministro adiantou que, até o fim do mês, serão anunciadas novas regras para apressar o processo de licenciamento, batizadas de Destrava 2. Segundo informou, após o Destrava 1, as licenças hoje são concedidas, em média, com um ano a menos que na gestão anterior.

DEPOIMENTO

Em outra polêmica que se envolveu, Minc foi convocado a comparecer amanhã, às 10 horas, a uma audiência pública da Comissão de Agricultura da Câmara, para explicar por que chamou os ruralistas de "vigaristas".

O pedido é do deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS), que classificou o comentário do ministro como "irresponsável". O parlamentar espera um pedido de desculpas ante a bancada ruralista.

Caso o ministro falte à audiência, o grupo está disposto a solicitar ao presidente da Câmara, Michel Temer, que entre com processo contra Minc por crime de responsabilidade.

OESP, 16/06/2009, Nacional, p. A8

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