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Meta climática voluntária pode virar lei no Brasil

OESP, Vida, p. A19
20 de Nov de 2009

Meta climática voluntária pode virar lei no Brasil
Compromisso de reduzir emissões entre 36,1% e 38,9% até 2020 foi incluído na legislação sobre o tema

Afra Balazina

A senadora Ideli Salvatti (PT-SC) antecipou-se à colega Marina Silva (PV-AC) e incluiu ontem, em projeto de lei, emenda estabelecendo a meta voluntária do Brasil de reduzir emissões de gases-estufa entre 36,1% e 38,9% até 2020. O tema foi inserido no projeto aprovado ontem na Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado, que cria a Política Nacional sobre Mudança do Clima. Os senadores também aprovaram projeto que cria o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima.

As duas propostas já foram votadas na Câmara. Com a inclusão da emenda referente à emissão de gases-estufa, o assunto terá de retornar para apreciação dos deputados. Os parlamentares querem concluir as votações até o fim de novembro para levar os projetos à Conferência do Clima da ONU, em Copenhague.

A meta brasileira foi anunciada pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff na semana passada. Marina Silva, ex-petista e ex-ministra do Meio Ambiente, manifestou então a intenção de incluir em lei esse compromisso. Hoje adversária de Marina, Ideli Salvatti saiu na frente. A proposta estabelece também que os gastos públicos em ações contra as mudanças climáticas não poderão ser contingenciados pelo governo federal.

Já o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima tem como meta assegurar recursos a projetos, estudos e financiamento de empreendimentos ligados a impactos das mudanças do clima. "O Brasil fará diferença na reunião não só por assumir compromissos voluntários, mas também por decisões do Congresso Nacional", disse Salvatti. O tucano Marconi Perillo (GO) também comemorou.

Carlos Rittl, coordenador do programa de Mudanças Climáticas e Energia da ONG WWF, afirma que é coerente a inclusão da meta em lei. "Esse fato é uma demonstração de comprometimento", afirmou. Para ele, porém, a lei deve incluir a possibilidade de fazer uma revisão das metas futuramente, "se a ciência indicar que é preciso mais ambição" para evitar uma catástrofe climática (a savanização da Amazônia, por exemplo). Na opinião de Marcelo Furtado, diretor executivo do Greenpeace no Brasil, é positivo que se tenha ouvido uma reivindicação da sociedade e da academia ao incluir a meta em lei. "Certamente ela (Ideli Salvatti) consultou o Planalto e teve sinal verde do Executivo."

Furtado, porém, critica a falta de ambição da meta adotada pelo Brasil. Para ele, o desmatamento da Amazônia deveria ser zerado. E tanto o Greenpeace quanto o WWF questionam o cálculo para elaborar o objetivo. Para as entidades, a emissão de gases-estufa pelo setor de energia foi "inflada".

OESP, 20/11/2009, Vida, p. A19

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