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Marco regulatório não prevê verba contra desastre

OESP, Vida, p. A23
06 de Jun de 2010

Marco regulatório não prevê verba contra desastre
Projeto que será votado pelos senadores propõe criar Fundo Social genérico com lucros do pré-sal; meio ambiente será uma das áreas beneficiadas

Renato Andrade

O governo não incluiu no marco regulatório do pré-sal nenhuma reserva de recursos para prevenção e combate a acidentes na exploração de petróleo. Apesar das incertezas que envolvem a extração de óleo em profundidades de até 7 mil metros e longe da costa, o Planalto optou apenas por incluir o meio ambiente como uma das áreas que serão beneficiadas com financiamentos bancados pelo Fundo Social.
Nem mesmo o vazamento de óleo no Golfo do México sensibilizou os senadores brasileiros que vão discutir e votar nas próximas duas semanas os projetos que formam o novo marco regulatório. "Isso foi um acidente único que não deve balizar a lei", disse Edison Lobão (PMDB-MA), ex-ministro de Minas e Energia.
O Fundo Social funcionará com uma poupança dos recursos que serão obtidos com a exploração do pré-sal. A proposta do governo é colocar no fundo pelo menos 70% das receitas líquidas obtidas com a venda de petróleo, gás e derivados, 100% do dinheiro obtido com a securitização dos contratos de partilha e 70% das receitas tributárias envolvidas nas operações. O pacote financiará projetos e programas em áreas como combate à pobreza, saúde pública, educação, ciência e meio ambiente.
O caráter genérico da destinação é mais complexo na área ambiental. Na proposta original, enviada pelo Planalto ao Congresso em setembro, a ideia era garantir recursos para programas e projetos de sustentabilidade. A Câmara aprovou o texto elaborado pelo deputado Antônio Palocci (PT-SP) que mudou a destinação para ações de mitigação às mudanças climáticas.
No Senado, a situação é indefinida. Três relatórios foram feitos sobre o projeto. Na Comissão de Constituição e Justiça, o senador Antônio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA) definiu o repasse de recursos para ações de proteção ao meio ambiente. Paulo Paim (PT-RS), relator na Comissão de Assuntos Sociais, manteve o texto de Palocci. Mas o ex-ministro Edison Lobão, relator na Comissão de Assuntos Econômicos, voltou à ideia do Planalto. Em todos os casos, não há destinação clara para a prevenção e combate a acidentes.
Para Lobão a fixação de recursos para a prevenção de acidentes acabaria congelando um dinheiro que poderia ser usado em outras áreas. Além disso, o senador defende que os custos com segurança devem ser assumidos pelas empresas que vão operar os campos.
"A Petrobrás e as empresas que formarão os consórcios vão ganhar muito dinheiro e são eles que têm de assumir os compromissos com prevenção e combate a acidentes", disse Lobão.

ZIGUEZAGUE
Proposta enviada pelo governo: O dinheiro do Fundo Social será aplicado em programas e projetos de "sustentabilidade ambiental".
Texto aprovado pela Câmara: Os recursos vão para ações de "mitigação e adaptação às mudanças climáticas".
Relatório do senador ACM Jr. (DEM), da Comissão de Constituição e Justiça: O dinheiro vai para a "proteção ao meio ambiente".
Relatório do senador Paulo Paim (PT), da Comissão de Assuntos Sociais: Recursos do
Fundo Social voltam a ser aplicados em ações de "mitigação e adaptação às mudanças climáticas".
Relatório do senador Edison Lobão (PMDB), da Comissão de Assuntos Econômicos: Retoma a
proposta original, de financiar projetos e programas de "sustentabilidade ambiental".

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100606/not_imp562192,0.php

OESP, 06/06/2010, Vida, p. A23

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