O Globo, Opinião, p. 7
Autor: FALKENSTEIN, Roberto
07 de Set de 2010
Lixo, novo desafio
Roberto Falkenstein
A ausência de regras para o tratamento do lixo criou um gigantesco problema ambiental, principalmente nas grandes cidades, onde os aterros estão esgotados. A gravidade da situação fez o governo federal finalmente sancionar a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que estava em discussão havia 20 anos. Os setores que primeiro deverão seguir a regulamentação são os de pneus, pilhas, baterias, eletroeletrônicos e agrotóxicos. Nos próximos quatro anos, terão de resolver como serão feitos a coleta, o acondicionamento, o tratamento e a destinação final dos produtos descartados. Um desafio e tanto.
Mas quais serão os papéis específicos de empresas, governos e consumidores? Afinal, a partir de agora todos passam a dividir a responsabilidade pelo ciclo de vida dos produtos. Sobram desafios para todos. Os municípios precisarão criar soluções para gerir melhor os resíduos e melhorar a reciclagem. Já as empresas terão de aperfeiçoar o gerenciamento de resíduos e exigir postura semelhante dos seus fornecedores. Por fim, toda a sociedade precisará ser reeducada, pois um ponto crucial da nova política é a logística reversa, pela qual o consumidor precisará devolver o produto usado para que seja reciclado.
Diante deste cenário, o modelo adotado pela indústria pneumática pode ser visto como benchmarking, pois há mais de uma década o setor investe no recolhimento e destinação ecologicamente correta dos pneus inservíveis, e praticamente liquidou seu passivo ambiental.
Desde que a resolução 258 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) entrou em vigor, em 1999, determinando a coleta e destinação final de pneus como obrigação das empresas fabricantes, a Anip (Associação Nacional da Indústria Pneumática) instituiu o Programa Nacional de Coleta e Destinação de Pneus Inservíveis. Parcerias com distribuidores, revendedores e prefeituras em todo o país já permitiram a implementação de mais de 460 pontos de coleta.
Somente em 2009 foram coletadas e destinadas adequadamente 250 mil toneladas de pneus inservíveis, o que representou mais de 1/4 do total recolhido nos dez anos anteriores, e, em 2010, a previsão é ampliar este volume em 20%.
Do total coletado, 67% são reaproveitados como combustível alternativo para as indústrias de cimento (coprocessamento), que, além de eliminarem um resíduo que poderia ser descartado no meio ambiente, deixam de usar óleo diesel.
Os demais 37% são reutilizados na fabricação de asfalto borracha, solados de sapato, dutos pluviais, pisos industriais e tapetes para automóveis. Todas essas destinações são aprovadas pelo Ibama como ambientalmente adequadas. Há ainda um importante trabalho a ser desenvolvido, que é o da educação e conscientização da população, pois o consumidor também terá obrigações.
O Globo, 07/09/2010, Opinião, p. 7
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