COIAB
23 de Jan de 2007
Povos e organizações indígenas do Acre, Sul do Amazonas e Noroeste de Rondônia resistem a despejo da sede da UNI-AC
Lideranças de povos e organizações indígenas do Acre, Sul do Amazonas e Noroeste de Rondônia, iniciaram nesta terça-feira, 23/01, um movimento de resistência contra
o despejo determinado pela justiça do Acre, marcado para o dia 26 deste mês, da casa que foi até hoje a sede da União das Nações Indígenas do Acre (Uni-Acre), arrematada
em leilão no valor de 32 mil reais, pelo advogado Gumercindo Rodrigues.
O comprador, que teria fechado o negócio na calada da noite, trabalhou com Chico Mendes e é conhecido como um "companheiro de luta" dos povos da floresta (seringueiros,
extrativistas, indígenas). Isso causou estranheza e revolta nas lideranças indígenas, que pretendem mobilizar daqui até a data marcada para o despejo, e o tempo
que for necessário, uma centena de líderes indígenas e de outros segmentos sociais para juntos se manifestar, protestar e repudiar este ato de desrespeito cometido
contra o movimento indígena da região, que se sente despojado de sua casa.
Para os líderes, "aquele lugar representa, o lar que abrigou nossa resistência à ditadura, os sonhos, as conquistas do movimento como um todo. Foi ali que muitas
vezes os velhos companheiros de luta se reuniram para planejar nossos caminhos e construir um governo popular e democrático que reconhecesse nosso valor..."
Por esses motivos, as lideranças dos povos e organizações indígenas do Acre, Sul do Amazonas e Noroeste de Rondônia, se propõem resistir ao mandato judicial de
despejo. Reafirmam esta decisão numa "Carta de Protesto e Resistência" divulgada na tarde da segunda-feira, 22/01: "o movimento vai resistir, unirá forças para
enfrentar esta ordem de despejo, estaremos juntos índios e não índios, companheiros de luta para defender aquilo que nos pertence. Não queremos desrespeitar a justiça,
mas queremos dela justiça, afinal este cidadão fez tudo calado, às escuras, na intenção de que ninguém soubesse que ele queria ganhar este patrimônio no valor de
R$ 32.000,00. Cadê o companheirismo de luta, na qual este senhor viveu ao lado de Chico Mendes e dos povos da floresta (seringueiros, extrativistas, indígenas)".
Os indígenas mobilizados pedem de todas as instituições e organizações aliadas do movimento indígena o apoio necessário para a defesa deste patrimônio histórico
de seus povos e organizações.
Manaus, 23 de janeiro de 2007.
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