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Lideranças indígenas participam do congresso do povo

Amapá Digital- http://www.amapadigital.net/
06 de mai de 2014

O 2o Encontro do Congresso do Povo, realizado na Subprefeitura da Zona Norte, que encerrou neste domingo, 4, teve a grata participação das lideranças das terras indígenas do Parque Nacional das Montanhas do Tumucumaque, fortalecendo a representatividade no encontro de delegados.

A presença de diversas etnias, entre as quais Tiryió, Apalai, Kaxiuyana e Akurió, compuseram uma delegação de mais de sessenta indígenas que discutiram seus interesses nos quatro eixos temáticos do Congresso.

Reconhecer a importância dos povos indígenas para assim, conservar e preservar o insubstituível patrimônio cultural que essas populações proporcionam a todas as gerações é um desafio na gestão do prefeito Clécio Luís, em se tratando da necessidade de evidenciar ações conjuntas com outras instâncias governamentais, na busca de políticas públicas que atendam aos anseios desses povos.

Uma dessas ações, importante instrumento de reivindicação, foi a aprovação no Regimento Interno do Congresso do Povo, em seu artigo 4o, que dedicou onze setoriais à política indigenista. Regiane Cunha (Semae) coordenadora do setorial das populações indígenas salientou que, desde o ano passado, a Prefeitura de Macapá aguardava a concordância com as lideranças indígenas para que elas também participassem do congresso. "Já havia uma necessidade dessas lideranças virem a nós pelo fato de existir um setorial específico para elas. Essa participação agora realmente é muito gratificante e, mais do que isso, é legítima, porque fortalece ainda mais a participação popular", garantiu.

O principal aspecto que envolve a participação dessas lideranças no 2o Congresso do Povo é a busca por uma política inclusiva de atendimento à saúde, educação e alternativas econômicas para a população indígena do Parque do Tumucumaque, em especial aos índios que vêm a Macapá para atendimentos em saúde e para a educação formal, à medida que cresce o número de índios que estão fora de seu espaço natural.

A articulação de ações que propiciem uma melhor qualidade de vida para os povos indígenas do Tumucumaque é pelo que luta Demétrio Amisipa, presidente da ApitiKatxi - Associação dos Povos indígenas Tiryió, Kaxiuyana, Apalai e TxyKyana. "Luto para resolver os problemas de meu povo e meu povo é um só, de todas as etnias, de todas as aldeias".

Demétrio dá uma lição ao lembrar-se dos ensinamentos do pai. "Meu pai era cacique e sempre me ensinou a repartir. Nenhum índio se alimenta mais do que precisa para não faltar para outro índio e é por isso que digo que minha luta por transporte, educação e saúde pertence a índios e não índios, porque o nosso chão, o meio ambiente, o ar que respiramos é de todos".

O universo que rodeia o índio transforma-se rapidamente para quem sai da aldeia e vem morar na cidade. Isso acaba produzindo impactos significativos e infelizmente, negativos. Em Macapá, os principais fatores que contribuem para agravar a condição dos índios é a violência. Segundo Demétrio, cerca de 200 índios vivem em Macapá de forma precária, muitos em casas de apoio superlotadas.

"Nosso povo tem dificuldade para transitar na cidade. São atropelados, sofrem com a violência nas ruas e com outro agravante: não há uma política de inclusão educacional que comece nas aldeias e que atenda às necessidades até a faculdade. Eu sou um exemplo; até chegar na faculdade de enfermagem enfrentei problemas de adaptação até mesmo para compreender o que era dito",lembrou Demétrio.

A política de igualdade com a qual tanto sonha Demétrio e seu povo aproximou o presidente da Associação e o senador Randolph Rodrigues (Psol/Ap). "Essa relação nasceu do interesse em conhecê-lo e nos proporcionou um espaço também dentro da gestão municipal para lutar por nossos direitos. Nossa expectativa é de nos unirmos ainda mais ao prefeito Clécio, que nos acolheu tão carinhosamente para juntos acharmos um caminho", encerrou.

Sobre o Tumucumaque

O Parque Nacional das Montanhas do Tumucumaque é o maior parque nacional do Brasil e o maior também em florestas tropicais. Localizado nos estados do Amapá e Pará numa área de 3,8 milhões ha, maior até que Portugal. É uma unidade de conservação brasileira de proteção integral à natureza e à diversidade biológica inserida na porção da floresta amazônica com características únicas e pouco conhecidas e habitat natural de uma das espécies mais bonitas e raras da natureza, o beija-flor Brilho de Fogo.

O Parque do Tumucumaque abriga também as terras indígenas onde atualmente vive, distribuída em 46 aldeias, uma população estimada em 3.300 índios das etnias Apalai, Oiãpi, Wayana, Tiryió, Kaxuyana, TxyKyana e AKurió.

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