OESP, Metrópole, p. A24
12 de Nov de 2015
Lama avança no Rio Doce; captação para
Segundo Ibama, prioridade é deter fluxo de rejeitos; presidente do órgão diz que Samarco pode ser multada em até R$ 100 milhões
Bruno Ribeiro - Enviado especial
MARIANA (MG) - Passada quase uma semana do rompimento das barragens da empresa Samarco em Mariana, Minas, os rios afetados pela lama continuam a ser poluídos por rejeitos da exploração de minério de ferro. Isso impede que a água deles seja consumida, segundo vistoria feita ontem pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama).
A presidente do órgão, Marilene Ramos, afirmou que a empresa deve ser multada tanto por danos que causarão perdas à biodiversidade quanto pela contaminação dos rios. As penalidades máximas, informou Marilene, chegam a R$ 50 milhões por infração - R$ 100 milhões ao todo. Ela também não descartou que o material lançado nos rios esteja contaminado com outros produtos, nocivos à saúde.
Dirigentes do Ibama e da Agência Nacional das Águas (ANA) estiveram na região ontem e tiveram reuniões tanto com dirigentes da Samarco - e de suas proprietárias, Vale e BHP Billinton - como com o governador de Minas, Fernando Pimentel (PT). "Como toda aquela área continua descoberta, uma poeira fina continua chegando aos rios e deixando um nível de turbidez muito alta", disse Marilene. "É diferente do que aconteceu, por exemplo, quando houve o rompimento daquela barragem em Cataguazes (também em Minas, em 2003), em que veio determinado volume de lama, a captação foi interrompida e, depois, a água que veio levou o material embora."
Os sedimentos depositados nos rios aumentam a turbidez da água, o que a mantém imprópria para o consumo humano. Marilene afirmou que ainda não há um prazo para que a contaminação seja interrompida e a captação de água possa voltar. "Estamos discutindo as alternativas das soluções para isso."
Em outra linha de ação, as agências do governo devem "iniciar uma campanha de investigação da qualidade da água e dos sedimentos para ter a certeza de que o material de fato é inerte e não oferece nenhum risco para o consumo humano".
Na vistoria, o Ibama detectou dois problemas imediatos no meio ambiente da região. "São duas grandes questões: alteração ambiental com perda da biodiversidade, o que é caracterizado por aquela grande carga de lama nos rios, matando tudo o que existe de vida e com perda da mata ciliar, e o outro é o lançamento dessa grande carga de sedimentos, tornando a água imprópria. Como atingiu um rio federal, entendemos que cabe ao Ibama aplicar essa penalidade", continuou Marilene.
Licenciamento. O Ibama deve iniciar discussões para alterar o processo de licenciamento das barragens de resíduos após o acidente. "Em pouco mais de dez anos, esse é o quinto acidente, o quinto problema com barragens de rejeitos. Como causa dano ambiental de grandes proporções, entendemos que o Ibama, juntamente com ANA e o DNPM (Departamento Nacional de Produtos Minerais) e governo do Estado devem rever os processos de licenciamento."
Paralelamente, o órgão pretende adotar medidas que levem as empresas a reduzir o uso desse tipo de infraestrutura na mineração. "Em Carajás, estamos levando metodologias para o tratamento de minérios que usam menos água e produzem menos sedimento."
PM escolta entrega de água em Governador Valadares
Marco Antônio Carvalho
ENVIADO ESPECIAL
GOVERNADOR VALADARES
A água passou a ser distribuída sob escola da polícia ontem em Governador Valadares, Minas Gerais. Duas viaturas da Polícia Militar fizeram à tarde a proteção de uma distribuidora de água na cidade, a cerca de 450 quilômetros de Belo Horizonte. O local teve o fornecimento de água interrompido pela prefeitura após a lama das barragens em Mariana atingir o Rio Doce, que corta a região.
Os policiais disseram ter sido chamados pelo dono do estabelecimento. "Ele estava com receio de o pessoal vir aqui e tomar tudo", disse o cabo Wemerson Ferreira, que escoltava uma entrega de garrafões de 20 litros. A chegada do produto causou correria ao local, no centro da cidade. Mais de cem pessoas com garrafões vazios aguardavam a oportunidade de comprar água a R$ 10 e formavam uma fila no quarteirão.
O primeiro lugar era do autônomo Felipe Junior Costa, de 24 anos. Ele aguardava na porta da distribuidora havia quatro horas. "Desde o fim de semana, a gente não tem mais. Enchi tudo que eu pude lá em casa, coloquei em baldes, mas tudo já acabou", disse. Costa afirmou ter ficado sabendo por amigos sobre o ponto de venda recém abastecido e não hesitou em ir ao local. "Não estamos encontrando água em lugar nenhum."
O colapso no abastecimento da cidade afeta cerca de 296 mil pessoas que moram na cidade. Desde segunda-feira, as torneiras estão secas. Caminhões-pipa abastecidos em cidades até 100kmdistanteestãosocorrendo pontos vulneráveis, como hospitais e abrigos.
Exército. O governo do Espírito Santo solicitou ontem o apoio do Exército e do Ministério da Integração Nacional para enfrentar os problemas no abastecimento de água em ao menos três cidades que deverão enfrentar dificuldades na captação no Rio Doce, atingido pela lama proveniente de Mariana, em Minas. Os municípios de Baixo Guandu e Colatina, no noroeste capixaba, têm como fonte exclusiva de abastecimento a captação no rio que corta a região.
A população dessas cidades continuava recebendo água do Rio Doce ontem, apesar de haver o registro de turbidez acima do comum pelos órgãos de monitoramento.
OESP, 12/11/2015, Metrópole, p. A24
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