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Jovem Cientista premia boas ideias sobre agua

O Globo, O Pais, p.14
19 de nov de 2003

Jovem Cientista premia boas idéias sobre águaBRASÍLIA. O Brasil tem 13% das reservas de água doce do mundo. No entanto, ainda não sabe usá-las nem preservá-las como deve. No XIX Prêmio Jovem Cientista, entregue ontem em cerimônia no Palácio do Planalto, nove jovens que estudam do ensino médio até a pós-graduação mostraram que é possível melhorar os mananciais de água. Da detecção de toxinas a um filtro de pneu e flanela que ajudou a limpar a água em comunidades pobres, os jovens cientistas mostraram as boas idéias que surgem nas escolas brasileiras. O primeiro lugar na categoria graduados — de pesquisadores com curso superior completo — foi da pesquisadora paulista Adriana Lorenzi, de 27 anos, da Universidade de São Paulo. Na categoria estudantes, outra mulher, Cristhiane Assenhaimer, de 21 anos, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, recebeu o primeiro prêmio. O prêmio Jovem Cientista do Futuro, uma categoria criada em 1999 para incentivar estudantes do ensino médio, foi recebido por Carlos Nunes Júnior. O vice-presidente José Alencar representou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não pôde comparecer por ter torcido o pé esquerdo. Alencar parabenizou os vencedores e leu o discurso de Lula. — Os trabalhos mostram o enorme potencial criativo que o Brasil tem armazenado nos corações e nas mentes dos jovens brasileiros — disse. — O Brasil precisa aprender a utilizar e preservar suas reservas naturais. Daí a importância de trabalhos que tragam esse conhecimento — disse o presidente da Fundação Roberto Marinho, José Roberto Marinho. Patrocinado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Fundação Roberto Marinho, a Eletrobrás e o Grupo Gerdau, o prêmio deste ano teve como tema Água: fonte da vida” e recebeu número recorde de inscrições. Foram 345 pesquisadores de pós-graduação e graduação e 777 trabalhos de ensino médio, no prêmio Jovem Cientista do Futuro. — O que mais precisamos, ao lado da escola, é o incentivo. É isso que este prêmio traz — disse o ministro da Educação, Cristovam Buarque.
 
Veneno descoberto na represaBRASÍLIA. Adriana Sturion Lorenzi, de 27 anos, engenheira agrônoma e terminando o mestrado pela Universidade de São Paulo, começou a estudar cianobactérias — um organismo intermediário entre algas e bactérias — ainda na faculdade. No mestrado, descobriu, entre 13 tipos de cianobactérias, duas que, ao morrerem, produzem uma toxina que pode causar doenças sérias, como o câncer. Depois de identificá-las, Adriana descobriu que, em São Paulo, as duas estão presentes nas águas das represas Billings e Guarapiranga. — Encontramos uma maneira de melhorar os métodos de purificação da água usada pela população — disse.
 
Para despoluir, casca de camarãoBRASÍLIA. Christiane Assenhaimer, 21 anos, do 7 semestre de engenharia química da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, descobriu que a casca de camarão pode ser usada para limpar resíduos de duas indústrias poluidoras: a de fertilizantes e mineradora. Os resíduos, apesar de não serem tóxicos para humanos, provocam entupimentos e corrosão nas tubulações das redes de esgoto. Com o uso das cascas de camarão para absorver os resíduos, a estudante conseguiu reduzir custos e gerar empregos para pessoas nas comunidades de pescadores, já que as cascas precisam ser retiradas e limpas. Ainda na faculdade, Christiane, pretende fazer mestrado.
 
A água que sujava em vez de lavarBRASÍLIA. O paraense Carlos Nunes Júnior, 16 anos, aluno do ensino médio da Fundação Bradesco, trabalhou numa idéia nascida de um detalhe do dia-a-dia. Alguns colegas chegavam com as camisetas do uniforme amareladas, parecendo sujas. Foram chamados pelo Serviço de Orientação Escolar (SOE), onde descobriu-se que o problema não era desleixo, mas a água barrenta das casas. Com pedaços de câmara de pneu, feltro e flanela de coador de café, os estudantes conseguiram criar um filtro que retira os resíduos da água. Desde então, distribuíram 60 filtros. — Nós continuamos fazendo os filtros, mas o que queríamos mesmo era que uma empresa se interessasse em fazer industrialmente— disse.

 
O Globo, 19/11/2003, p. 14

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