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Jirau quer ampliar financiamento de R$ 7,3 bi para R$ 10 bilhões

OESP, Economia, p. B4
18 de Fev de 2012

Jirau quer ampliar financiamento de R$ 7,3 bi para R$ 10 bilhões
O aditivo é pedido para permitir a expansão da capacidade da usina dos 3.300 MW originais para 3.750 MW

ALEXANDRE RODRIGUES / RIO, RENEE PEREIRA / SÃO PAULO

O consórcio Energia Sustentável do Brasil (ESBR) pediu ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) um aditivo ao financiamento de R$ 7,3 bilhões para a construção da usina hidrelétrica de Jirau, em Rondônia. Maurício Bähr, presidente da IPR - GDF Suez Brasil, líder do consórcio, disse que o valor do empréstimo, que já é o maior concedido pelo BNDES até hoje, poderá chegar a R$ 10 bilhões.
O aditivo está sendo pleiteado pela GDF para permitir a expansão da capacidade da hidrelétrica dos 3.300 MW originais para 3.750 MW, com a instalação de mais seis turbinas. A energia adicional proporcionada pela expansão já foi vendida no leilão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) realizado em agosto do ano passado.
Segundo Bähr, o valor total da construção de Jirau já subiu de R$ 11 bilhões para R$ 15 bilhões, sendo R$ 2 bilhões referente à indexação contratual e à expansão de 44 para 50 turbinas. Por falta de capacidade da indústria local, as novas máquinas foram encomendadas na China e não poderão ser custeadas com recursos do BNDES, que só financia a aquisição de equipamentos nacionais. O crédito adicional foi pedido para as obras civis da expansão.
"Estamos negociando com o BNDES, esperamos uma resposta do banco em até dois meses", informou o executivo. Segundo Bähr, os distúrbios provocados por movimentos grevistas no canteiro de obras de Jirau que culminaram no incêndio e depredação de alojamentos e instalações no ano passado prejudicaram o ritmo das obras e provocaram o adiamento da operação antecipada da usina de abril para outubro deste ano.
Por isso, a negociação conduzida pela GDF junto ao BNDES envolve também a revisão dos prazos de amortização. O financiamento prevê uma carência de seis meses após a data marcada para o início antecipado da operação, cujo limite contratual é 2014, e precisa ser readequado ao novo cronograma da obra.
Também há atrasos na linha de transmissão. Mas, a exemplo da usina de Santo Antônio, também no Rio Madeira, a energia produzida por Jirau ficará na região até a inauguração das linhas, previstas para dezembro. Mesmo se o prazo não for cumprido, contratualmente, a empresa terá o direito à remuneração.
Bähr afirmou ainda que cobrará das seguradoras do empreendimento ressarcimento da receita perdida e dos prejuízos provocados pelos distúrbios - apenas os danos materiais somam quase R$ 200 milhões. No mercado, há informações de que as seguradoras estão criando dificuldades para o pagamento.
Procurado pelo Estado, o BNDES informou que não pode se pronunciar sobre o pedido de financiamento adicional para Jirau. O crédito de R$ 7,3 bilhões concedido pelo BNDES em 2009 representa quase 70% do custo da hidrelétrica, que faz parte do complexo do Rio Madeira.
As condições do financiamento, que tem metade intermediada por bancos comerciais em uma operação do tipo project finance, contribuíram para a engenharia financeira que levou ao deságio de 21,5% na tarifa oferecida pelo consórcio vencedor no leilão.

OESP, 18/02/2012, Economia, p. B4

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,jirau-quer-ampliar-financia…

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