VOLTAR

Jirau critica eficiência de usina de Santo Antônio

Valor Econômico, Empresas, p. B2
10 de Fev de 2017

Jirau critica eficiência de usina de Santo Antônio

Rodrigo Polito

Os consórcios donos das usinas de Santo Antônio e Jirau, que formam o complexo do rio Madeira (RO), travam novo round na rivalidade histórica entre eles. O novo capítulo é sobre a elevação da cota de operação de Santo Antônio, que teria causado uma perda de 361 megawatts (MW) médios para o complexo, na primeira quinzena de janeiro, segundo cálculos da Energia Sustentável do Brasil (ESBR), dona de Jirau, apresentados à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Segundo a empresa, com a elevação da cota, Santo Antônio deixou de produzir 320 MW médios e Jirau, 41 MW médios.
As informações constam de carta enviada pela ESBR ao diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino, em meados de janeiro. Uma semana depois, a Santo Antônio Energia (SAE) obteve vitória na Justiça, que liberou o Ibama para autorizar a elevação da cota da usina de Santo Antônio, de 70,5 metros para 71,3 metros. O órgão ambiental já havia autorizado a elevação da cota no fim do ano passado, porém teve de rever a decisão duas semanas depois, por decisão da Justiça.
Na carta enviada à Aneel, Victor Paranhos, diretor presidente da ESBR, diz que a elevação da cota de Santo Antônio e a operação das seis turbinas adicionais daquela usina dependeriam da eficiência das máquinas da hidrelétrica. "Embora os dados oficiais referentes à eficiência das unidades geradoras da UHE Santo Antônio não estejam disponíveis, sabe-se que estes são muito inferiores ao mínimo obrigatório", disse, na carta.
De acordo com a ESBR, o índice de eficiência de Santo Antônio é de 95,87%, enquanto o índice de Jirau é de 99,67%. Pelas contas da ESBR, com essa configuração, em longo prazo, em vez de o sistema do rio Madeira ter um ganho de 83,1 MW médios, conforme previsto, ele terá de fato uma perda de 17,01 MW médios, caso a elevação da cota de Santo Antônio seja mantida.
"Considerando que a SAE ainda não obteve do Ibama a retificação da Licença de Operação para a subida da cota de operação do empreendimento, solicita-se que a Aneel analise tecnicamente qual seria o percentual mínimo de FID [o indicador de eficiência] aceitável para que a UHE Santo Antônio possa ter o direito de elevar a cota da usina", disse Paranhos, na carta.
Ao Valor, a SAE informou, em nota, que o projeto de ampliação da usina, de 44 para 50 turbinas, foi aprovado pela Aneel em 2013, "caracterizado como o que melhor atende o interesse público e assegura o aproveitamento ótimo do rio Madeira". O consórcio completou que "opera suas 50 turbinas com a eficiência energética esperada". Segundo a SAE, a produção das seis últimas máquinas é destinada ao sistema Acre-Rondônia, garantindo segurança e estabilidade do suprimento para a região.
A SAE disse ainda que lamenta "a tentativa da ESBR de confundir a opinião pública com a difusão de informações sobre as quais não tem conhecimento ou domínio" e que "repudia a tentativa da mesma de se apropriar do protagonismo que pertence legitimamente apenas aos órgãos que fiscalizam e regulam o setor elétrico".
A Aneel informou ao Valor que "o processo ainda está em análise na área técnica". Já o Operador Nacional do Sistema Elétrico explicou que opera as duas usinas "dentro dos preceitos de maximizar a produção de energia elétrica, respeitando as condicionantes ambientais de uso múltiplo e o que está estabelecido nos contratos de concessão".
No início deste mês, a SAE informou ao mercado que a Secretaria da Corte Internacional de Arbitragem da Câmara de Comércio Internacional (ICC) proferiu sentença favorável à empresa em procedimento arbitral instaurado contra a ESBR. Segundo o comunicado, porém, "o inteiro teor da referida decisão é sigiloso, uma vez que o procedimento se reveste de confidencialidade".

Valor Econômico, 10/02/2017, Empresas, p. B2

http://www.valor.com.br/empresas/4864660/jirau-critica-eficiencia-de-us…

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.