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Investimentos em PCHs

OESP, Notas e Informações, p. A3
12 de ago de 2009

Investimentos em PCHs

Mais de mil projetos de investimento em Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) estão sendo analisados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), mostrou reportagem de Andréa Vialli, publicada segunda-feira pelo Estado. Os investidores são empresas que veem nas PCHs a possibilidade de suprir suas necessidades de energia nos próximos anos, com mais presteza.

As PCHs são usinas com capacidade de geração de 1 MW a 30 MW. Há, hoje, em operação 346 usinas desse tipo, com potência outorgada de 2,857 mil MW, ou seja, 2,68% da capacidade total do sistema elétrico brasileiro, de 104,858 mil MW. Outras 70 PCHs estão sendo construídas, com potência de 1,047 mil MW. Há mais 159 outorgadas entre 1998 e este ano, mas que não começaram a ser construídas, conforme os dados da Aneel.

Se forem liberadas e construídas todas as PCHs pleiteadas, o potencial de geração dessas usinas chegará a 7,5 mil MW. E, nas próximas quatro décadas, esse potencial poderá ser multiplicado por três, estima o secretário executivo do Centro Nacional de Referência em PCHs (Cerpch) da Universidade Federal de Itajubá, Geraldo Lúcio Tiago Filho. "O potencial conhecido hoje das PCHs chega a 25 gigawatts (GW) e corresponde a duas vezes a potência de Itaipu", afirma o especialista.

Não faltam exemplos de interesse nas pequenas usinas, tanto de grupos nacionais como estrangeiros. Na sexta-feira, o conselho de administração da Light aprovou a contratação de um consórcio das construtoras Orteng e Quebec para a realização das obras da PCH Paracambi, com investimentos de R$ 185 milhões.

O Grupo Ersa, formado pelo Pátria Investimentos, a norte-americana Eton Park, o fundo BBI FIP, a GMR Empreendimentos Energéticos e o banco de desenvolvimento alemão DEG (que faz parte do Grupo KfW), controla três PCHs em operação, tem mais nove em construção em Minas Gerais e Santa Catarina, com potência de 300 MW, e já elabora o inventário de rios para acrescentar 1.000 MW à capacidade atual. A canadense Brookfield Energia Renovável (antiga Brascan) gera 536 MW em 36 PCHs, construirá mais uma neste ano e quatro no ano que vem em Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Passado o momento mais difícil da crise financeira, "demos continuidade a dois projetos que já estavam iniciados e vamos retornar os investimentos em 2010", declarou o presidente da empresa, Luiz Ricardo Renha.

Entre os maiores grupos geradores do País, a Cemig lançou, em 2004, o programa Minas PCH, que estimula o aproveitamento dos rios do Estado e prevê investimentos de R$ 1 bilhão em PCHs com capacidade de 400 MW.

Os investimentos em PCHs são estimulados pelo custo de geração, inferior ao dos projetos de grande porte. Outro estímulo é a maior rapidez na obtenção de licenças ambientais.

Para o País, a vantagem é que a oferta de eletricidade fica menos dependente de grandes projetos, como Belo Monte. Com capacidade de geração de 11 mil MW, o processo de licenciamento ambiental de Belo Monte foi encaminhado pela Eletrobrás ao Ibama em março. O governo federal ainda pretende lançar o edital neste semestre, depois de 20 anos de estudos e da oposição de grupos ambientalistas, indígenas e religiosos, além do Ministério Público.

Um consórcio formado pela Eletrobrás, Andrade Gutierrez, OAS, Odebrecht e Engevix faz os estudos iniciais de viabilidade econômica de cinco usinas hidrelétricas no Peru, com potência instalada de 6 mil MW, para produzir a partir de 2015. Calcula-se que o Peru consumirá apenas 20% da energia gerada pelas usinas.

Outro benefício que decorre da expansão das PCHs é a diversificação geográfica dos investimentos. "Os bons potenciais no Sul e Sudeste do Brasil já são aproveitados", afirma Tiago Filho. "A expansão se dará rumo aos Estados de Goiás, Mato Grosso e sul do Amazonas."

Mesmo não afastando os riscos de falta de energia quando o crescimento econômico se acelerar, as PCHs aumentam a segurança energética.

OESP, 12/08/2009, Notas e Informações, p. A3

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