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Índios Isolados: Funai divulga imagem do povo desconhecido do Alto Rio Envira, no Acre

Amazônia Real- http://amazoniareal.com.br
Autor: Kátia Brasil
17 de jul de 2014

As primeiras imagens do povo indígena desconhecido que fez contato com índios ashaninka da aldeia Simpatia, no Alto Rio Envira, no oeste da Amazônia, foram divulgadas nesta quinta-feira (17) pela Fundação Nacional do Índio (Funai).

As imagens mostram três índios sem roupas caminhando em uma das margens do rio. Nas mãos, eles levam arcos e flechas. De acordo com informações dos intérpretes que integram a equipe da Funai, os índios desconhecidos pertencem a um subgrupo do tronco linguístico Pano. O contato e a permanência do grupo de isolados na região ocorreram de forma pacífica.

Mas, segundo a Funai, durante os diálogos com os intérpretes o grupo indígena isolado relatou que sofreu violência no território peruano.

Nos diálogos tratados com o grupo indígena isolado por meio dos intérpretes, os indígenas relataram que sofreram atos de violência por armas de fogo praticada por não índios nas cabeceiras do rio Envira, que se localiza em território peruano", disse em nota Funai.

Diante dos relatos, a Funai anunciou medidas para averiguar os fatos relatados e implementar um plano de ação no âmbito do Acordo de Cooperação Técnica firmado entre a Funai e o governo peruano em março deste ano, com vistas à proteção dos povos indígenas isolados transfronteiriços e ao monitoramento territorial na região.

Diferente do informado anteriormente pela Funai, o contato entre os dois povos aconteceu no último dia 26 de junho, e não dia 29. O contato foi estabelecido com os servidores da Frente de Proteção Etnoambiental (FPE) Envira da Fundação Nacional do Índio e indígenas do Povo ashaninka, na Aldeia Simpatia, da Terra Indígena Kampa e Isolados do Alto Rio Envira, que fica no município de Feijó, no Acre.

Segundo a Funai, o grupo de índios isolados contraiu gripe e se deslocou junto a equipe para a Base de Proteção Etnoambiental Xinane, onde foi possível realizar o atendimento médico. Após a conclusão do tratamento, os indígenas retornaram para suas malocas, onde estão os demais integrantes de seu povo.

Como a agência Amazônia Real publicou em matéria anterior, os índios desconhecidos assustaram mulheres e crianças ashaninka da aldeia Simpatia quando apareceram nas malocas pegando panelas e facões por volta do dia 10 de junho.

O clima ficou tenso entre índios desconhecidos e os ashaninka, o que levou o Governo do Acre a realizar uma operação de segurança com apoio do Exército e da Polícia Federal na fronteira.

Em nota divulgada no dia 17 de junho, o Governo do Acre informou que a chamada Operação Simpatia consistia em averiguar as ameaças que a comunidade ashaninka recebiam de "índios isolados" e classificou os desconhecidos de "saqueadores".

Diante da aproximação dos índios isolados na aldeia Simpatia, o coordenador-geral de Índios Isolados e Recém Contatados da Funai, Carlos Travassos, viajou para região para acompanhar o trabalho da equipe da Frente de Proteção Etnoambiental Envira e do sertanista José Carlos Meirelles, da Assessoria Indígena do Governo do Estado do Acre.

O contato entre os índios isolados e a etnia ashaninka gerou preocupação com a saúde e a segurança desses povos entre as lideranças do Acre. Em entrevista à agência Amazônia Real, Ninawa Huni Kuin, da etnia kaxinawá, disse que a Funai (Fundação Nacional do Índio) precisa reativar a base da Frente de Proteção Etnoambiental na região para proteger os índios isolados.

A base da Frente de Proteção Etnoambiental no Rio Xinane, próxima à Aldeia Simpatia, foi fechada depois de uma invasão de narcotraficantes peruanos ao posto, em 2011. Na ocasião, a Polícia Federal retomou a instalação e prendeu um homem de nacionalidade portuguesa sob acusação de tráfico internacional de drogas. Mas, por medida de segurança, a Funai retirou os funcionários do órgão, inclusive do atendimento de saúde, do local.

Na nota divulgada nesta quinta-feira (17), a Fundação Nacional do Índio disse que entre as medidas necessárias para a segurança tomadas está a reativação permanente da Base Xinane da FPE Envira. Segundo a fundação, os trabalhos consistirão em ações de monitoramento dos povos indígenas isolados buscando identificar possíveis ameaças as suas vidas e territórios.

Com relação a saúde dos povos indígenas do Alto Rio Envira, a Funai informou que o Plano de Contingência para Situações de Contato, que se encontrava em estado de alerta, passou para a fase de intervenção, sendo executado pela equipe composta por servidores do órgão, mateiros, intérpretes, funcionários da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SesaiI) e um médico da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

O Plano prevê ações que consigam, no primeiro momento, realizar o atendimento à saúde desse grupo de forma imediata, eficaz e preventiva, diminuindo o impacto do contato. Desta maneira, os índios que contraíram a gripe já foram imunizados", informou a Funai.

Além disso, diz a fundação em nota, o Plano visa estabelecer uma relação de confiança entre os servidores, os povos vizinhos e os isolados, de acordo com termos de conduta que norteiam e organizam as equipes que estão em campo, de forma a estabelecer um contato que não seja traumático.

O tronco Pano

O tronco linguístico Pano abrange vários idiomas de povos indígenas que habitam o Acre, como kaxinawá, yanawawá e katukina. No Amazonas, alguns povos cujas línguas pertencem ao tronco Pano são marubo, matís, mayoruna e korubo, que habitam a Terra Indígena Vale do Javari. Os índios Amawaká, do Peru, também falam uma língua do tronco Pano, segundo informações são do Instituto Socioambiental.

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