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Índios estranham tratamento de "branco"

Diário da Notícia
06 de out de 2007

Mesmo com uma história de quase dez anos no país e um ano em Sinop, os servidores das Casas de Saúde do Índio (Casais) ainda passam por dificuldades para serem aceitos por boa parte da população indígena brasileira. Em Sinop a situação não é diferente. Mesmo com o objetivo positivo de levar qualidade de vida aos índios, os servidores ainda encontram resistência para levar saúde aos mais de 2.600 indígenas que atendem.

Segundo o responsável pela Casai de Sinop, Carlos Moreira de Lima, alguns índios não aceitam receber atendimentos médicos de "brancos" " homem civilizado " e colocam obstáculos na forma como os tratamentos são aplicados. "Mesmo sabendo do que se trata, conhecendo nosso trabalho e tendo consciência do quanto é importante esse trabalho da Casai, os índios ainda relutam quando precisam de tratamento médico, até mesmo para se dirigir à equipe médica e falar que estão com algum problema. Muitos deles não concordam com a forma como os atendimentos são feitos, com os medicamentos que receitamos, muitos estão presos às suas culturas".

Para Lima, mesmo que o "branco" seja um dos grandes motivos para o aumento da incidência das doenças entre os índios, essa forma de repulsa contra os atendimentos é boa para reacender a cultura indígena no Brasil. "De certa forma isso é bom, porque o povo indígena precisa dessa cultura, que deixou de ser cultivada há muito tempo".

Instalada em Sinop, 17 de agosto de 2006, a Casai de Sinop já prestou 1.537 atendimentos até 31 de agosto de 2007, uma média de cem por mês. Ao todo foram feitas 28 cirurgias e 1.619 exames, entre laboratoriais (1.205), raios-x (154) e ultra-sonografias (270). Entre os atendimentos prestados, 64 consultas foram pela rede privada de saúde. "Esses casos são as consultas com profissionais que a rede pública de Sinop não oferece, como oftalmologista, cardiologista e gastro".

A Casai de Sinop atende somente os povos do Parque Indígena do Xingu. São seis etnias, Kayabi, Ikpeng, Trumai, Waura, Suya e Juruna, de 40 aldeias. O parque foi dividido em três pólos base e hoje existe uma espécie de extensão da unidade de Sinop dentro do parque onde são prestados os primeiros atendimentos para os índios doentes, ou as gestantes. "Os casos que o grupo do parque não consegue resolver em campo, são encaminhados para a cidade. Aqui nós damos uma assistência mais completa e, caso haja necessidade, encaminhamos para o Pronto Atendimento, hospitais, Sorriso, Cuiabá ou até mesmo São Paulo, nos casos de algumas tuberculoses e hanseníases", explicou Lima.
Casos como fraturas e gravidez de risco não podem ser resolvidos em campo e geralmente são atendidos em Sinop.
"Casos com crianças, como diarréias e vômitos, e acidentes ofídicos, que são as picadas de cobras e aranhas, também não podem ser resolvidos no local e precisam de acompanhamento médico mais intenso".

Hoje a Casai de Sinop atende com uma equipe completa de saúde, sendo um médico clínico geral, um enfermeiro e nove técnicos em enfermagem. A estrutura física da casa é composta por quatro quartos com lugar para três pessoas, farmácia, refeitório - onde se alimentam na média de 80 índios por dia - e uma oca com espaço para cerca de 30 redes, onde os acompanhantes dos pacientes ficam alojados. A casa é mantida com recursos da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) que repassa a verba por meio da Secretaria Municipal de Saúde de Sinop

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