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Índios e haitianos são alvos fáceis

Diário de Cuiabá (Cuiabá - MT) - www.diariodecuiaba.com.br
Autor: Yuri Marques
13 de mar de 2015

A situação dos indígenas e dos haitianos em Mato Grosso preocupa os membros da Comissão Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo (Coetrae-MT). Os dois grupos, considerados dois alvos fáceis, estão sendo aliciados para trabalhar em condições análogas à escravidão.

Conforme o sociólogo do Centro Burnier Fé e Justiça (CBFJ) Inácio José Werner, que também é membro do Fórum Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo (Foete), há denúncias de que índios estariam sendo aliciados para trabalhar em fazendas do interior.

Além disso, conforme Inácio, os haitianos também estão se deslocando para outras cidades do Estado, dentro do mesmo modelo de trabalho, que é ilegal.

"São dois grupos sociais que preocupam muito. Eles vão trabalhar nesses locais, sem carteira assinada e em troco de nada, de um salário qualquer. É uma situação que já está sendo averiguada", disse.

Estima-se que mais de cinco mil haitianos desembarcaram em Cuiabá nos últimos meses, muitos com intuito de trabalhar na construção civil. "Já recebemos informações de que um grupo que está em Sinop encontra-se em situação precária. Não faz tempo, já resgatamos outros nove em Cuiabá", ressaltou.

Já no caso dos índios, há denuncias de que eles estão sendo aliciados para trabalhar em fazendas, a troco de nada. Nesses locais, eles estariam ainda consumindo droga e álcool.

"O relato é de que um índio voltou para a aldeia viciado. A ação agora está correndo em sigilo para não ser comprometida", disse.

Segundo o secretário de Trabalho e Assistência Social (Setas), Valdiney Arruda, que também é presidente do Coetrae, conta que dentro da comissão, há outra específica para repressão e essa pode ser responsável por operações de combate ao trabalho escravo.

"Essa comissão, que entre seus membros está a Polícia Civil e Ministério Público, recebem essas denúncias, montam uma estratégia e saem para realizar as ações", explicou.

Apesar de não existir uma pesquisa que revele a dimensão da problemática em Mato Grosso, o secretário destaca que existem evidências de que nos últimos 10 anos, mais de cinco mil trabalhadores tirados dessa prática.

O secretário ressaltou ainda que só não diminuiu ainda o número de pessoas que ofertam esse tipo de trabalho. "Infelizmente não conseguimos ainda provocar uma erradicação na cultura de empregadores, que ainda estão praticando essas atividades criminosas", finaliza.

Denúncias sobre casos de trabalho escravo podem ser feitos pelo Disque 100, na Polícia Civil e no Ministério Público e do Trabalho.

TRABALHOS - Conforme Valdiney, agora é hora de retomar as ações que ficaram no passado. A reunião de ontem, que aconteceu na sede do Sine, dividiu subcomissões que vão apresentar ações para cumprir o Plano Estadual de Erradicação ao Trabalho Escravo.

"Consiste em ação, repressão e assistência às vítimas. Temos que agir conforme o plano para apresentar propostas e desencadear ações em curto e longo prazo para erradicar de vez essas práticas", ressaltou.

O fortalecimento do Fundo de Erradicação do Trabalho Escravo também é uma meta. Com mais de R$ 1 milhão parado, o secretário acredita que é a hora de devolver em ações para a sociedade.

"Vamos construir projetos específicos, como o programa de reinserção dos egressos do trabalho escravo no mercado e também na sociedade", finaliza.

http://www.diariodecuiaba.com.br/detalhe.php?cod=467891

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