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Índio brasileiro ainda à espera do dia de festa

O Liberal (Belém - PA)
23 de abr de 1984

A Semana do Índio é marcada por uma série de denúncias de ataques aos indígenas. Com as pautas puxadas a partir da proposta de alteração do Código Civil Brasileiro, alterando a condição jurídica do indígena transformando-os em absolutamente dependentes da Funai. Também surge como ameaça o projeto de lei que pretende acabar com a tutela da Funai sobre os índios através da emancipação dos indígenas. Essas medidas mexem diretamente com a questão das terras, pauta central quando se trata da questão indígena.
O antropólogo Antônio Carlos pesquisador do Museu Emílio Goeldi é crítico a introdução exagerada dos hábitos e costumes brancos, bem como da presença exagerada destes nas aldeias. Já a delegada substituta da Funai em Belém, Zélia Salgado acredita que a tendência é a integração do indígena a sociedade envolvente. A entrada do Projeto Carajás não seria então um projeto que transformaria os indígenas em marginalizados, mas sim uma forma de garantir sua auto-suficiência a partir do investimento que virá junto com o projeto. A delegada garante também que até o final do projeto todas as reservas no Estado do Pará estarão demarcadas, explicando que o grande problema da Funai é a falta de verba para a demarcação
Segundo a antropóloga e membra do Cimi, Edna Maria de Souza Damasceno, o Banco Mundial, financiador do Projeto Carajás, o que existe é uma estratégia de ocupação da área, mas segundo Antônio Carlos, o financiado pelo Banco Mundial foi feito apenas na condição de que houvesse um fortalecimento das comunidades indígenas. Para Antônio Carlos, as preocupações, agora já consumado o Projeto deve ser em como fazer bom uso das verbas que serão destinadas, focando na garantia da demarcação das terras indígenas.

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