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Indígenas entregam ao MPF relatório condenando construção de hidrelétricas no Vale do Juruena

Olhar Direto- http://www.olhardireto.com.br
30 de jul de 2016

Um relatório elaborado por indígenas de sete etnias que ocupam o Vale do Juruena condena e prevê desastres socioambientais na construção das Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) previstas para a região. O estudo foi recebido na última quinta-feira (28) pela Sexta Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal (MPF), órgão responsável por atuar em questões sobre indígenas e comunidades tradicionais.

O temor dos indígenas é que a instalação das PCHs possa impactar negativamente e alterar o modo de vida das comunidades que dependem dos rios. Segundo o relatório, estão previstas 102 hidrelétricas para a região, sendo que 43 delas podem inviabilizar a sobrevivência das comunidades.

Um dos líderes da etnia Enewene Nawê aponta a diminuição dos peixes no rio que corta a comunidade como um dos graves problemas ambientais causados pela instalação das hidrelétricas. Com a dieta alimentar baseada no consumo de peixes, a etnia vê sua sobrevivência ameaçada. "A construção de usinas do topo PCHs, próximas de terras indígenas, impede a subida de peixes que diminuem e somem; traz a seca e morte dos rios", consta do documento.

Na via oposta, os indígenas apresentam projetos de solução, entre eles a elaboração de um estudo integrado da bacia composta pelos rios Juruena, Teles Pires e Tapajós, além da reavaliação dos impactos socioambientais dos empreendimentos já construídos na região.

O relatório é resultado de debate realizado pelas etnias em junho deste ano, na aldeia Iru'u, na Terra Indígena Menkü, que reuniu representantes das etnias Myky, Manaoki, Enawenenê Nawê, Apiaká, Kayabi, Munduruku e Negarotê.

O MPF prometeu avaliar o relatório para tomar providências que considerar cabíveis. O documento também foi protocolizado na Procuradoria da República em Mato Grosso. Participaram da reunião o membro da Sexta Câmara de Coordenação, subprocurador-geral da República Antônio Carlos Bigonha e o secretário-executivo Gustavo Alcântara.

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