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Governo inicia desocupação da área de reserva extrativista no Pará

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02 de mai de 2008

A decisão judicial que determina a retirada imediata de grileiros da região onde será criada a Reserva Extrativista (Resex) do Médio Xingu, no Pará, já começou a ser cumprida. Na última semana, cinco policias federais, um oficial de justiça e um analista ambiental da Resex do Rio Iriri cumpriram mandado de desocupação nas fazendas Rio Bonito, dentro da unidade, e Bacuri, na divisa da Resex com a Estação Ecológica da Terra do Meio. "A retirada das famílias foi tranqüila e sem conflitos", explica Lino Viveiros, analista da Resex do Rio Iriri.

Na fazenda Bacuri, por exemplo, havia três famílias e mais de duas mil cabeças de gado, além de uma infra-estrutura significativa de curral e cercas.

Proprietários da fazenda Rio Bonito já tinham sido autuados em mais de R$ 3 milhões, por desmatamento para pasto e degradação de Área de Preservação Permanente (APP).

A decisão judicial partiu da Procuradoria da República no Município de Altamira, Pará. A Procuradoria propôs ação cautelar, determinando que União e o Instituto Chico Mendes promovam a efetiva retirada das pessoas destituídas de títulos da área onde em breve será criada a Reserva Extrativista Médio Xingu, de 303 mil hectares.

Por outro lado, foi instaurado, no âmbito da Polícia Federal, inquérito que visa a apurar ameaças de morte feitas por grileiros contra moradores da região.

As ameaças buscam amedrontar a população tradicional, formada por 59 famílias, que reside no local e será beneficiada com a implantação da unidade.

Entre as vítimas de ameaças estão o presidente da Associação de Moradores do Médio Xingu, Herculano Costa da Silva, que nasceu e se criou na área onde será implantada a Resex Médio Xingu e a pesquisadora da Comissão Pastoral da Terra, Eve Zipporah Bratman, que esteve no local entre 3 a 12 de abril de 2007 entrevistando pessoas sobre o modo de vida dos ribeirinhos. Em fevereiro deste ano Herculano chegou a ser rendido por pessoas a mando de grileiros.

Paralelamente, a exploração de recursos naturais da futura reserva extrativista já se tornou uma constante por parte de grileiros, com retirada ilegal de madeiras e outros crimes ambientais, com autos de infração lavrados.

Na ação, o MPF vê a criação da Reserva Extrativista do Médio Xingu como uma conseqüência imediata, necessária e lógica para contornar os problemas na região.

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