VOLTAR

Futuro das baleias em jogo

Envolverde - www.envolverde.com.br
Autor: Peter Richards
21 de Jun de 2010

Seis países do Caribe podem influir na decisão da Comissão Baleeira Internacional (CBI) sobre o relaxamento da proibição de matar cetáceos com fins comerciais, e permitir a caça na área protegida do Oceano Antártico, ou não. As restrições para pesca da baleia vigoram desde 1986.

Os membros da Organização de Estados do Caribe Oriental (Oeco) apresentarão na reunião da CBI, esta semana no Marrocos, uma proposta para permitir a caça de uma quantidade limitada de baleias. Antigua e Barbuda, Dominica, Granada, San Cristóbal-Nevis, Santa Lucía, San Vicente e Granadinas pertencem à Oeco e também à CBI, criada em 1964 para preservar as baleias.

Numerosos ambientalistas e outros ativistas se opõem a que a Oeco levante a proibição. Pedem aos governos caribenhos que não cedam ante países como o Japão, que costuma recorrer ao seu poder econômico para conseguir votos entre os 88 membros da CBI. O ex-secretário-geral da Comunidade de Nações, Shridath Ramphal, qualificou de farsa a decisão da Oeco de apoiar o Japão.

"É muito triste ver que nossos pequenos países se unem a esse país para perpetuar a matança que levará à extinção desses mamíferos", afirmou Ramphal. "Os japoneses usam a diplomacia do cheque. Compram nossos votos e nós acreditamos que fazemos parte da tradição baleeira. O que fazemos é participar da extinção", acrescentou o ex-secretário-geral aos participantes de uma conferência internacional realizada em maio, em Granada.

Esse país recebeu assistência superior a US$ 15 milhões do Japão, entre 1986 e 1995. Este ano, o governo espera receber US$ 5 milhões para um projeto de pesca na localidade de Gouyave. Tóquio também financia projetos pesqueiros em outros países da Oeco. Numerosas nações do Oceano Pacífico e San Cristóbal-Nevis e Granada ofereceram abertamente vender seus votos na CBI, indicou ontem um jornal britânico. As baleias são mais valiosas vivas do que mortas para a região, afirmou o ex-diplomata caribenho Ronald Sanders, que também pede aos países para que não apoiem o Japão.

A proposta dos países da Oeco também inclui que Islândia e Noruega continuem caçando baleias, infringindo a proibição e os procedimentos científicos acordados. Granada concedeu à Noruega, há algumas décadas, permissão para caçar cachalotes em suas águas jurisdicionais, recordou o ambientalista Fitzroy Armour, que promoveu o controle de cetáceos no Caribe oriental. As baleias desapareceram em uma temporada, acrescentou. "Quem sabe o que acontecerá hoje com barcos utilizando equipamentos mais complexos?", perguntou, preocupado pelo dano que um relaxamento na proibição significará para o turismo no Caribe.

"A cachalote, que está na lista de espécies em risco de extinção, ainda não se recuperou", disse Armour. "Caçar baleias, além de levar ao seu desaparecimento, é uma vergonha no contexto do vazamento de petróleo no Golfo do México, importante local para os peixes do norte do Atlântico", acrescentou. O Japão tem barcos no Caribe que podem "destruir as atividades de avistamento de baleias, se receberem uma permissão", insistiu.

Os membros caribenhos da CBI votam, desde 1992, contra a moratória. Em 2008, Dominica deu um passo sem precedentes e retirou seu apoio ao Japão porque essa política ia contra a imagem de uma ilha sensível aos assuntos ambientais. O avistamento de baleias arrecadou, esse ano, US$ 2,1 bilhões, segundo estudo da empresa Economists at Large & Associates, com sede na Austrália. A atividade cresce no Caribe e na América Central a um ritmo considerável, com países arrecadando mais de US$ 54 milhões por ano.

Os governos da região "devem apoiar e impulsionar as ofertas de avistamento de baleias como uma atividade válida e sustentável para proteger as populações de cetáceos e criar postos de trabalho, obter divisas e fornecer sustento aos pescadores e às comunidades costeiras", foi a reivindicação de uma conferência sobre "turismo azul" sustentável, realizada em fevereiro na ilha francesa de Martinica.

"As baleias alimentam-se nas águas frias do norte do Oceano Atlântico, no Golfo de San Lorenzo ou na Baía de Fundy, na costa canadense, ou na Europa", afirmou a bióloga marinha Lyne Morrisette, do Instituto de Ciências Marinhas do Canadá. "Depois descem para se reproduzir. Nesse momento, cuidam dos filhotes e não se alimentam", acrescentou, ao explicar porque um projeto de três anos para simular a retirada de cetáceos do Caribe não contribuiu para o aumento de peixes na área.

"O Caribe não é uma área separada de outras regiões em termos de recursos", disse o delegado de Granada na CBI, Justin Rennie, que criticou o estudo. "Se as baleias não se alimentam aqui, podem fazê-lo em outra parte. Não podemos considerar o Caribe uma entidade separada", argumentou. Por seu lado, o ambientalista Atherton Martin considera que Dominica deve liderar as iniciativas de conservação que surgirem na CBI e propor a criação de uma área protegida para as baleias no Caribe.

http://www.envolverde.com.br/materia.php?cod=76498&edt=1

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.