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Funasa de MS lança programa de saúde mental pioneiro no país

MS Notícias
14 de set de 2007

Campo Grande (MS) - As equipes de saúde da Funasa/MS que atuam nas aldeias da região sul de Mato Grosso do Sul estão iniciando um trabalho pioneiro no país junto aos indígenas, através da implantação do Programa de Saúde Mental. O lançamento oficial foi na Câmara de vereadores do município de Amambai, com apoio da prefeitura local e governo do Estado.

O maior desafio hoje é conter o crescente índice de violência e suicídios nas aldeias guarani-kaiowá em Mato Grosso do Sul. De 2001 para cá a Funasa registrou aproximadamente 140 mortes violentas e mais de 345 suicídios (de janeiro 2000 a maio de 2007) nas 72 aldeias do estado.

O DSEI/MS -Distrito de Saúde Especial Indígena, com intuito de elaborar uma política de saúde mental e implementar o Programa dentro das diversas realidades existentes nas aldeias do estado, contratou quatro psicólogos para integrar as equipes de saúde dos Pólos-Bases dos municípios de Amambai, Dourados, Caarapó e Iguatemi. Os profissionais devem a princípio conhecer a realidade das etnias, estatísticas de problemas sociais que possam causar interferência na saúde dos povos indígenas, antes de implementar os primeiros passos do Programa, embasados na parceria com o Programa de Saúde Mental desenvolvido pela Secretaria de Estado de Saúde, com apoio dos municípios que abrigam os Pólos-Bases.

Entre os novos contratados estão Zuleika Parobe Postal (Dourados), Aline Schwingel Lange (Iguatemi) e os indígenas Valter Martins Benites, de 26 anos e Eliseti Moreira, de 37 anos, que foram escalados para atuarem nos Pólos de Amambai e Caarapó, respectivamente. Eles foram selecionados através de prova escrita e entrevista entre mais de trinta candidatos.

Valter nasceu na aldeia Pinamambai no município de Amambai e freqüentou escolas públicas na zona rural, antes de ingressar no curso de psicologia da Unigran - Universidade da Grande Dourados, onde concluiu os estudos em dezembro do ano passado. Atualmente faz Pós Graduação em Metodologia do Ensino Superior. O psicólogo considera fundamental a realização de um trabalho em prol de sua própria comunidade, resgatando a auto-estima, valorizando a língua e a cultura e lutando sobretudo para conter as crises de identidade e a falta de perspectivas de dias melhores nas aldeias.

Eliseti nasceu na aldeia Jaguapiru em Dourados e tem dois filhos. A graduação em psicologia foi em 2006, na mesma turma de Valter e atualmente faz Pós Graduação em Psicopedagogia. "Não foi fácil chegar até aqui. Comecei a estudar tarde, atravessei muitas situações de preconceito, mas sempre acreditei que eu iria vencer e me formar em psicologia. Hoje quero passar o que aprendi para minha comunidade, pois acredito que se cheguei até aqui, posso desenvolver um bom trabalho. O desafio é grande e quero dias melhores para meus filhos que também são índios", disse Eliseti.

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