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Frente faz representações contra deputado que atacou minorias

OESP, Política, p. A8
20 de Fev de 2014

Frente faz representações contra deputado que atacou minorias
Grupo parlamentar aciona Corregedoria da Câmara e Procuradoria-Geral da República por declarações de Luiz Carlos Heinze (PP)

Daiene Cardoso / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

A Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Humanos decidiu ontem que vai apresentar duas representações contra o deputado federal Luiz Carlos Heinze (PP-RS) por ter feito declarações que o grupo considerou preconceituosas.
A fala de Heinze, gravada em vídeo, é de novembro. Em audiência pública da Comissão de Agricultura em que se discutiu a demarcação de terras em Vicente Dutra, no Rio Grande do Sul, os produtores rurais foram estimulados pelo parlamentar a organizar pessoalmente a defesa de suas propriedades. Sobraram ataques também ao ministro Gilberto Carvalho (secretaria-geral da Presidência da República) e à "omissão" do governo federal na questão agrária. "O Gilberto Carvalho também é ministro da presidente Dilma. E é ali que estão aninhados quilombolas, índios, gays, lésbicas, tudo que não presta", declarou. Quando as redes sociais divulgaram suas frases, na semana passada, ele recuou, dizendo que "se excedeu" e que "não tinha nada contra" os gays,
Uma das ações será protocolada na Corregedoria da Câmara dos Deputados, por quebra de decoro parlamentar. A outra, na Procuradoria-Geral da República, por incitação ao crime e à violência. O Conselho Nacional de Combate à Discriminação LGBT anunciou ontem que também entrará com uma ação contra Heinze.
Ao Estado, o deputado gaúcho voltou a pedir desculpas aos gays e disse que se defenderá nas estâncias cabíveis. "Se quiserem entrar (com ação), podem entrar", afirmou. Na palestra de novembro, ele havia declarado que o campo vive um conflito sério e que suas críticas foram direcionadas a quem comanda o processo agrário na esfera federal e aos líderes indígenas e quilombolas. "É ali que está o problema", insistiu.
Afirmou ainda que, como representante dos produtores, sofre "cobranças todos os dias" e negou que sua declaração tenha incentivado a violência. "Acho que não estou incitando a violência. Não estou dizendo para armarem gente e darem tiro".
Direitos Humanos. Numa reunião ontem cedo, vários partidos discutiram como compor a nova Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, agora sob presidência do PT. A maior preocupação é criar maioria no grupo, neutralizando a atuação da bancada evangélica e do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). O PT só definirá o presidente na semana que vem.
Entre os cotados estão os deputados Nilmário Miranda (MG), Erika Kokay (DF), Assis do Couto (PR) e Luiz Couto (PB). Na reunião de ontem, a Frente decidiu que fará pressão sobre PSB, PSDB e PMDB para que indiquem nomes ligados à causa dos direitos humanos. "O PMDB é o mais difícil (de convencer)", admitiu Erika Kokay.

OESP, 20/02/2014, Política, p. A8

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