O Globo, Cartas dos Leitores, p. 8
Autor: RAMOS, Adriana
20 de Jul de 2010
Fazendas lá
Com relação ao artigo "Fazendas lá, ambientalistas aqui" (19/7), em que o sr. Denis Rosenfield reincide em acusações levianas às ONGs que atuam no Brasil, esclarecemos: as próprias organizações citadas, que colaboraram com os autores do documento "Fazendas aqui, Florestas lá", publicaram nota pela qual rejeitaram a hipótese de que a conservação da floresta tropical possa constituir uma vantagem competitiva para a agricultura americana frente à concorrência dos países em desenvolvimento no mercado de commodities agrícolas. As organizações citadas afirmam que não se associam e não endossam as conclusões do relatório, que são de inteira responsabilidade da organização "Parceiros para o Desmatamento Evitado". Do mesmo modo, organizações brasileiras como o Instituto Socioambiental (ISA) apontaram o estudo como profundamente equivocado, denunciando seu uso de forma mal intencionada no Brasil, com o objetivo de enfraquecer a proteção de nossas florestas. Por fim, o ISA nunca defendeu a constituição de "nações indígenas" no Brasil, e sim o cumprimento dos direitos indígenas consagrados no Artigo 231 da Constituição promulgada em 1988.
Adriana Ramos
Secretaria Executiva Adjunta do Instituto Socioambiental (ISA), Brasília, DF
Nota da Redação: Segundo o autor do artigo, ele é demonstrativo, "não tendo nada de leviano. A sócia fundadora do ISA, Barbara Bramble, é objeto de agradecimentos da autora do estudo 'Fazendas aqui, Florestas lá', sendo, ainda hoje, membro de sua instância maior. Aliás, a colaboração das ONGs por mim citadas com esse estudo é reconhecida. O fato de elas quererem se demarcar desse estudo é fruto da sua má repercussão no país, por desnudar as relações entre elas, exibindo os pressupostos teóricos
que compartilham. Quanto às 'nações indígenas', basta ler a defesa que o ISA faz da Declaração dos Povos Indígenas da ONU, que contempla essa possibilidade. Fica ainda uma outra questão não respondida: por que o ISA não luta, junto com outras ONGS bem financiadas, pela criação da 'reserva legal' nos EUA e na Europa? Por que o que vale aqui não vale lá?"
O Globo, 20/07/2010, Cartas dos Leitores, p. 8
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