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Falta de licença ameaça obra do Rodoanel Leste

OESP, Metrópole, p. C6
16 de Dez de 2012

Falta de licença ameaça obra do Rodoanel Leste
Consórcio diz que vai parar as máquinas e dispensar funcionários caso as liberações para dois dos cinco lotes não saiam até o começo de janeiro

Bruno Ribeiro

A falta de licenças ambientais de instalação já ameaça a continuidade das obras do Trecho Leste do Rodoanel Mário Covas. O consórcio SPMar, empresa responsável pela construção, diz que terá de paralisar máquinas e dispensar operários caso as liberações para dois lotes das pistas não sejam emitidas até o começo do próximo mês.
O licenciamento da obra, que soma 44 quilômetros de pistas, está sendo feito por trechos. Há cinco lotes que já têm essa licença e estão em construção, nas cidades de Mauá, Ribeirão Pires e Suzano, na Grande São Paulo.
Entre as restantes, três lotes tiveram as pedidos de licenciamento protocolados na Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) na sexta-feira (para o trecho final das pistas, entre Itaquaquecetuba, Guarulhos e Arujá) e dois tiveram o pedido em abril e junho. São esses dois últimos, que somam 15 quilômetros de pista, que estão emperrados, segundo a SPMar.
O problema é que o chamado Lote 5 fica entre dois trechos que já estão em obras. Segundo o diretor-presidente da SPMar, José Carlos Britto, a ideia era que o maquinário que já está fazendo a terraplenagem dos trechos liberados seguissem com a abertura do restante da pista. "Se a licença não sair em alguns dias, eu terei de paralisar as máquinas." Ele diz pressionar a Cetesb para evitar o prejuízo da parada das máquinas, mas ainda aguarda resposta. A assessoria do consórcio diz ter expectativa de que a licença saia ainda neste mês.
A obra já está causando mudanças visíveis nas cidades do leste da Grande São Paulo. Em Mauá, por exemplo, a pista já margeia a Avenida Humberto de Campos, uma das mais importantes da cidade. O vai e vem de caminhões também já altera o trânsito da pequena Ribeirão Pires.
A barreira causada pela falta de documentação também é facilmente notada. Uma das partes mais difíceis da empreitada - a ponte suspensa sob a várzea do Rio Tietê (a maior do Estado com 12 quilômetros) - está sendo construída de forma isolada do restante das pistas.
Pendências: A Cetesb argumenta que as licenças não saíram ainda por pendências na documentação. "Há uma série de informações necessárias à avaliação para emissão da Licença de Instalação que já foram reiteradas à SPMar e não foram apresentadas. Portanto, estamos dependendo da apresentação dessas informações", diz nota da companhia.

Licenciamento por trechos é um risco, alerta ambientalista

O ambientalista Carlos Bocuhy, presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam), afirma que há riscos para o meio ambiente em começar uma obra sem que todas as licenças tenham sido emitidas previamente.
Para ele, com as obras em andamento, aumenta a pressão para que as licenças sejam emitidas sem que os devidos ajustes tenham sido feitos previamente.
"Essa coisa de fazer por lote é muito complicada. É muito arriscado, porque, se faltar uma condicionante, para tudo e há perda de dinheiro. Muitas coisas que deveriam estar bem estabelecidas na licença prévia podem ser postergadas para a licença de instalação e, de lá, para a licença de operação", diz ele. "No final, isso representa um imbróglio do ponto de vista jurídico que pode inviabilizar o empreendimento." / B.R.

Andamento das obras
80% do Túnel Santa Luzia, em Ribeirão Pires, que terá cerca de 2 quilômetros, já foi escavado. Faltam apenas 50 metros para que as duas frentes de escavação do túnel se encontrem.
7,5 km de pistas, entre o Trecho Sul do Rodoanel e o Túnel Santa Luzia, já foram terraplanados. A cobertura com asfalto deve começar no mês que vem, segundo a concessionária SPMar.

OESP, 16/12/2012, Metrópole, p. C6

http://www.estadao.com.br/noticias/geral,falta-de-licenca-ameaca-obra-d…

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,licenciamento-por-trechos-e…

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