OESP, Internacional, p. A19
01 de Set de 2006
Evo confisca terras para 'revolução agrária'
AFP
O presidente boliviano, Evo Morales, executou na quarta-feira a desapropriação de 16.000 hectares de terra de duas fazendas no Departamento de Santa Cruz, o mais rico da Bolívia, para fins de reforma agrária. O diretor regional do Instituto Nacional de Reforma Agrária (Inra), Dionisio Rivas, esclareceu ontem, no entanto, que a medida já tinha sido decidida em junho de 2005, pelo governo de Eduardo Rodríguez.
Agentes do Exército e da Polícia Nacional desalojaram empregados das fazendas La Isla e La Madre, na região de Guarayos (a 260 quilômetros da capital departamental, Santa Cruz de la Sierra), que estavam em mãos de dois empresários locais. "Executamos a resolução de desapropriar essas terras no marco da lei", declarou, por seu lado, o vice-ministro de Terras, Alejandro Almaraz. "As terras confiscadas serão repartidas, também por resolução, entre camponeses despossuídos."
A Câmara Agropecuária do Oriente protestou contra a desapropriação, alegando que não eram terras ociosas, mas campos de soja. Cerca de uma centena de produtores brasileiros plantam soja na mesma região e temem que suas propriedades - nem todas com documentos regulares - sejam "nacionalizadas" pelo governo boliviano.
Simultaneamente à desapropriação em Guarayos, as autoridades destruíram construções em terrenos ocupados por indígenas no Departamento de Cochabamba, no centro do país. O governo de Evo também põe em prática sua política de recuperação de terras e recursos naturais nas proximidades da fronteira com o Brasil. O presidente ordenou no começo da semana o deslocamento de policiais e soldados do Exército para ocupar duas empresas madeireiras de origem brasileira, assentadas ilegalmente na selva do norte boliviano.
"Estamos empenhados em aplicar a lei para os pequenos e para os grandes, para os ricos e para os pobres. E quando a força dos ricos é avassaladora, agimos com o vigor necessário para desalojá-los", disse Almaraz.
A política que Evo chama de "revolução agrária" teve início em junho, quando entregou 2,5 milhões de hectares de terras em mãos do governo para camponeses e indígenas pobres. O presidente - que nacionalizou toda a cadeia produtiva dos recursos de gás e petróleo do país em maio - promete redistribuir 20 milhões de hectares até o fim de seu mandato, em janeiro de 2011.
OESP, 01/09/2006, Internacional, p. A19
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