Adital- http://site.adital.com.br
07 de Jul de 2014
O Equador deverá processar instituições estadunidenses por extrair sem consentimento sangue de indígenas do povo Huaorani para fins de pesquisa científica. Conhecidos por terem resistência a muitas doenças, 600 membros da etnia amazônica tiveram 3.500 amostras colhidas de maneira ilegal há mais de 20 anos, ferindo os direitos humanos. O caso voltou à tona após investigações do Governo do Equador, iniciadas depois de denúncias do caso em 2012.
Segundo o Estado equatoriano, o Instituto Coriell, dos Estados Unidos, vendeu DNA desses povos nativos a oito países. A sigla significa ácido desoxirribonucleico, proteína complexa que se encontra no núcleo das células e constitui o principal constituinte do material genético dos seres vivos. De acordo com a Secretaria Nacional de Educação Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (Senescyt) do Equador, que investiga o caso, as amostras foram repassadas para a Alemanha, Brasil, Canadá, Índia, Itália, Japão, Singapura, além da venda no próprio EUA.
De acordo com o titular da Senescyt, René Ramírez, cerca de 80% das extrações foram realizadas sem consentimento dos indígenas. "Ninguém sabia que tinham fins de pesquisa", reforçou o secretário. Além do Instituto Coriell de pesquisas médicas, com sede em Nova Jersey, são acusadas de realizarem essas operações a petroleira Maxus, com sede no Texas, e a Escola de Medicina da Universidade de Harvard.
A Secretaria informa que, entre os anos 1994 e 2008, diante de pedidos de pesquisas desses países, a Coriell distribuiu sete culturas celulares e 36 amostras de ADN para propósitos exclusivos de pesquisa científica. Depoimentos concedidos à Defensoria do Povo do Equador (DPE) assinalam que os huaorani foram enganados por dois cidadãos estadunidenses, entre eles um médicos da Maxus, que afirmavam que as extrações seriam utilizadas para exames, cujos resultados nunca foram entregues aos indígenas.
No início de junho deste ano, o presidente do Equador, Rafael Correa, se pronunciou sobre o caso, reforçando a decisão adotada pelo governo. "Não existe nenhuma lei federal dos Estados Unidos que proveja um fundamento jurídico para o processo contra o Coriell, a Maxus ou os pesquisadores", afirmou à imprensa. Ele sustenta que o caso "rompe qualquer ética" e avisou que o processo seria feito diante de tribunais internacionais com todas as instituições envolvidas.
A Constituição Federal do Equador proíbe o uso de material genético e a experimentação científica que atente contra os direitos humanos. Na avaliação do titular da DPE, Ramiro Rivadeneira, essas amostras ilegais provavelmente foram extraídas também em outros países que compartilham o território na selva amazônica, como Peru e Bolívia.
Quem são os huaorani
A etnia Huaorani são um povo ameríndio atualmente constituído de 3 mil membros, segundo organizações indígenas. Eles vivem há décadas em isolamento voluntário na região da Amazônia equatoriana, em área aproximada de 30 mil km2. A pesca e o cultivo de mandioca são as duas das práticas mais importantes na dieta alimentícia desse povo. Os huaorani estão hoje ameaçados pela exploração petrolífera e as práticas ilegais de registros de terras.
http://site.adital.com.br/site/noticia.php?lang=PT&cod=81372
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.