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Enxurrada de ações no caminho da Samarco

Valor Econômico, Empresas, p. B2.
16 de Jan de 2018

Enxurrada de ações no caminho da Samarco

Ivo Ribeiro

O caso da Samarco Mineração, envolvendo a tragédia do rompimento da barragem de rejeitos Fundão, em Mariana (MG), ocorrida em novembro de 2015, ainda tem ao menos três anos pela frente de intenso trabalho para recuperação e remediação de áreas e comunidades que sofreram impactos ambientais e sócio-econômicos.
No momento, em que busca aprovar seu plano de retomada das operações em Minas, a Samarco enfrenta ações em várias instâncias da Justiça e do Ministério Público e convive com informações de divórcio iminente na associação de longa data entre Vale e BHP. Cada um dos dois grupos é dono de 50% do capital da mineradora de ferro, que faz pelotas usadas n

No momento, em que busca aprovar seu plano de retomada das operações em Minas, a Samarco enfrenta ações em várias instâncias da Justiça e do Ministério Público e convive com informações de divórcio iminente na associação de longa data entre Vale e BHP. Cada um dos dois grupos é dono de 50% do capital da mineradora de ferro, que faz pelotas usadas na produção de aço.
Segundo apurou o Valor, há milhares de ações civis individuais - 24 mil notificadas - e cerca de 70 ações civis públicas, a grande maioria aberta por procuradores do Ministério Público. Em cada tipo de ação há a intenção de se chegar a um desfecho com negociação mediada para evitar a lentidão da Justiça e acelerar o processo, de um jeito que atenda os pleitos de cada lado.
A Renova, fundação criada para gerir todos os problemas provocados pelo rompimento de Fundão, toca ações e medidas de reparação e remediação de pessoas, comunidades e meio ambiente afetados. Com recursos das empresas, gerencia e executa, desde 2016, programa com 42 ações. A implementação pode durar 15 anos e custar R$ 20 bilhões (valor dado à
O pico de trabalho, com cerca de 3 mil pessoas das mais diversas especialidades, deve ocorrer entre 2017 e 2020 - a parte mais aguda de todo o processo de remediação dos impactos. Em 2016, foram ações emergenciais, após a morte de 19 pessoas.
Até agora, já foram pagas, segundo informação passada ao Valor, 250 mil indenizações - desde pessoas que ficaram duas semanas sem água potável até negócios afetados, dentre os quais pescadores do rio Doce. As compensações ambientais, como áreas reflorestadas, podem atingir um teto de R$ 4,1 bilhões.
A direção da Samarco, com apoio dos sócios, tenta conseguir retomar as operações de mineração - que não serão mais, tão cedo, no mesmo patamar de produção de minério e pelotas devido às restrições. A empresa já recebeu as licenças prévias e de instalação para utilização de cavas antigas de Alegria Sul para depositar os rejeitos. Falta a de operação. Ao mesmo tempo depende da licença corretiva e da queda de liminares que estão no Ministério Público-MG. Na melhor das hipóteses, a empresa estaria com todas as licenças aprovadas por volta de novembro.
A empresa, ainda com 1,3 mil funcionários, vem sendo sustentada pelas duas acionistas. Para este semestre, Vale e BHP estão aportando US$ 48 milhões. Ao mesmo tempo, na parte de contribuição das remediações executadas pela Renova, cada empresa vai colocar R$ 432 milhões.
A última notícia a respeito da saída da BHP da sociedade, publicada pela Bloomberg, informa que a sócia pede à Vale cerca de US1 bilhão por seus 50% na Samarco. Diz ainda que a BHP continuaria a assumir a sua parte dos passivos do acidente de Fundão, mas pede para receber royalties de produção durante a vida útil da mina. Os dois grupos não comentaram as informações.
Segundo notícia recente publicada pelo Valor, ouvindo fonte próxima à BHP, o grupo anglo-australiano não descarta a possibilidade de saída. Executivos das duas companhias mantiveram conversas ao longo de 2017 a respeito do futuro da joint venture, porém, sem evoluir para um desfecho.

Valor Econômico, 16/01/2018, Empresas, p.B2.

http://www.valor.com.br/empresas/5259919/enxurrada-de-acoes-no-caminho-…

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