O Globo, Opinião, p. 6
24 de Jul de 2008
Em tempo
Ainda que as autoridades responsáveis pelo licenciamento ambiental tenham feito um certo jogo para a platéia, com exageros nas compensações, saiu a autorização inicial para que as obras da usina nuclear Angra 3 possam ser retomadas.
Tais compensações - muitas das quais justas e compatíveis com o que se tem exigido para a execução de projetos dessa importância - não serão empecilho para que Angra 3 saia do papel, embora a chamada solução definitiva para os resíduos de alta radiação dê espaço para interpretações de toda ordem.
A Eletronuclear, por exemplo, não considera o combustível usado em seus reatores como resíduos. Os elementos combustíveis não chegam a ter sua carga completamente queimada e, por isso, são passíveis de reaproveitamento ou reenriquecimento para uso em outros tipos de reatores. A empresa chega a estimar um valor .de US$ 50 milhões para esse combustível usado, e hoje depositado em piscinas de resfriamento dentro dos prédios dos reatores das próprias usinas nucleares, locais adequados para serem armazenados - por existir uma estrutura preparada para acompanhamento e controle da radioatividade -, antes de serem reaproveitados.
Como a obra em si causa mais impacto socioambiental do que a futura operação da usina (um empreendimento que contribui para reduzir emissões de gases poluentes que provocam mudanças climáticas), é justificável que se exija dos empreendedores uma contrapartida que melhore a infra-estrutura urbana do município de Angra, desde que não se queira atribuir à nova central nuclear a solução de todos problemas da região.
Angra 3 aumentará significativamente, com 1.350 megawatts de potência firme, a oferta de energia junto aos principais centros de consumo e também dará impulso à industria brasileira de bens de capital, pois as encomendas de equipamentos nacionais são as que restam a fazer, em grande parte. O Brasil já acumula uma experiência de quase um quarto de século na geração de energia termonuclear. O suficiente para explorá-la com segurança e a custos competitivos com as opções que se apresentam.
O Globo, 24/07/2008, Opinião, p. 6
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