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Direitos indígenas seguem em disputa no Brasil

Editora Unesp editoraunesp.com.br
02 de Mai de 2018

"Povos indígenas, expulsos de seus territórios em pleno século XX, perdem seus direitos às terras?", pergunta-se a antropóloga Manuela Carneiro da Cunha. A resposta, para ela e para o professor de direito Samuel Barbosa, organizadores de Direitos dos povos indígenas em disputa, lançamento da Editora Unesp, é que sim. "Resolveu a segunda turma do Supremo que perdiam, sim, a não ser que tivessem resistido pela força ou por vias judiciais até um dia específico, 5 de outubro de 1988. Esse dia, celebrado por ser o da promulgação da Constituição Cidadã, passaria a ser sinistro: excluiria, conforme a nova interpretação, os povos indígenas escorraçados", escreve Manuela, na apresentação do livro.

A gênese da obra reside nos fins de 2014, quando o Supremo Tribunal Federal proferiu três decisões que atingiram diretamente três povos indígenas que aguardavam havia décadas a regularização de suas terras, resultando na anulação do procedimento demarcatório. "Frustravam-se as expectativas desses grupos, do movimento indígena e dos juristas publicados neste livro", anota.

Capitaneada pelo parecer de José Afonso da Silva, esta coletânea de artigos é "uma reação à frustração provocada pela posição do Supremo". Os leitores também contam com textos que contextualizam o debate na teoria do direito e além de republicações de Manuela Carneiro da Cunha e da conferência de João Mendes Junior, datada de mais de um século, que resgatam a história dos direitos indígenas na legislação brasileira.

"O escopo deste livro enfoca justamente a jurisprudência mais recente sobre os direitos territoriais indígenas", escreve Samuel Barbosa na introdução. "Falar do direito ao futuro dos povos indígenas não é a formulação cândida que paira no ar. Antes, é um projeto normativo ancorado na resistência indígena de longa data e conta com a vitalidade no presente das muitas associações indígenas locais, regionais e nacionais".

"Mais do que uma contribuição teórica, este livro quer chegar ao Supremo Tribunal Federal, aos juízes em geral e aos estudantes, impondo a pergunta: de que vale uma Constituição se não há juristas que a defendam?", questiona Bruno Morais, que assina as orelhas da obra.

Sobre os organizadores - Manuela Carneiro da Cunha é antropóloga, professora titular aposentada da Universidade de São Paulo e da Universidade de Chicago, e membro da Academia Brasileira de Ciências. Tem vários trabalhos sobre legislação indigenista e história indígena. Pela Editora Unesp, coorganizou o livro Políticas culturais e povos indígenas (2016).

Samuel Barbosa é professor doutor da Faculdade de Direito da USP, pesquisador principal do Maria Sibylla Merian Centre Latin America e do Cebrap. É doutor em Teoria e Filosofia do Direito pela USP. Foi bolsista no Instituto Max Planck para História do Direito Europeu (Frankfurt a/M).

Título: Direitos dos povos indígenas em disputa
Organizadores: Manuela Carneiro da Cunha e Samuel Rodrigues Barbosa
Número de páginas: 367
Formato: 16 x 23 cm
Preço: R$ 69,00
ISBN: 978-85-393-0715-9

http://editoraunesp.com.br/blog/direitos-indigenas-seguem-em-disputa-no…-

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