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Dia do Índio, um momento para refletir e agradecer os ensinamentos que recebemos

Terra https://www.terra.com.br/
18 de abr de 2018

No dia 19 de abril é comemorado o Dia do Índio. A data é importante para reflexão e homenagem pelos inúmeros ensinamentos recebidos, muito embora não haja muito a celebrar no decorrer da história. Algumas tribos indígenas foram quase executadas por inteiro na década de 70 em diante, enquanto estavam fora de seu habitat, quase chegaram a extinção. Mas hoje, o que parecia impossível está acontecendo: o número de índios no País e na Amazônia vem aumentando. A taxa de crescimento da população indígena é de 3,5% ao ano, superando a média nacional, que é de 1,3%. Em melhores condições de vida, alguns índios reintroduziram os antigos rituais e aprenderam novas técnicas, como pescar com anzol. Por outro lado, nós devemos grande parte do que sabemos, fazemos e acreditamos a eles.
Foto: DINO

Presente aqui bem antes dos colonizadores europeus e dos escravos africanos, a população indígena desenvolveu uma rica cultura formada por costumes, línguas e saberes que ainda se mostram vivos na sociedade brasileira.

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O hábito de tomar banho todos os dias, ou o nosso gosto por comidas à base de milho, mandioca, batata-doce, palmito e frutos foram herdados dos índios, bem como a rede, a canoa e a jangada. Transformaram argila em utensílios e deram origem a muitas palavras do nosso vocabulário, como pipoca, gambá e Sergipe, além de nos ensinarem a como retirar da natureza as plantas, base para os remédios. "Os esportes também tiveram grande influência dos povos indígenas, como a canoagem, arremesso de lança, arco e flecha e cabo de guerra, dentre outros tantos", cita a Doutora Karina Hatano, médica do exercício e do esporte. Saiba mais sobre tais atividades:

Arco e Flecha
Surgiram nas tribos indígenas como instrumento de guerra. Hoje, são utilizados para a caça, a pesca e os rituais, mas também viraram instrumentos de esporte, disputado entre aldeias. O tamanho do arco varia de acordo com a necessidade de seu uso e com a cultura de cada tribo. O primeiro evento que trouxe o arco e flecha como modalidade esportiva foi o intertribal que aconteceu em 1997, no I Jogos dos Povos Indígenas, em Goiânia.

Canoagem
A canoa surgiu na vida indígena como meio de transporte em busca de alimento, a pesca é essencial na prática das tribos. Naturalmente, cada aldeia possui uma maneira própria de fabricação da embarcação, por causa da mata nativa diferente de cada região. Quando virou esporte e começaram as competições entre aldeias, houve a preocupação do material utilizado, pois cada etnia produz artesanalmente seu barco. Para não haver nenhuma desvantagem nos jogos, a solução foi escolher as canoas da tribo Rikbatsa, do norte do Mato Grosso. Assim, a partir dos III Jogos dos Povos indígenas, os competidores passaram a usar canoas de fabricação tradicional rústica.

Arremesso de lança
A lança foi criada pelos povos indígenas para a caça, a pesca e a defesa contra animais de grande porte. Mas, como vemos hoje em dia, o arremesso de lança virou um esporte que exige força, precisão e dedicação. Nos Jogos dos Povos Indígenas, a atividade é praticada apenas pelos homens. De acordo com a tradição desse povo, a contagem dos pontos é feita com base na distância alcançada pela lança.

Cabo de guerra
A competição é um verdadeiro teste de força. Ganha a equipe que conseguir trazer a fita que fica no meio do cabo para dentro de seu campo. Nas aldeias, as equipes costumam treinar a modalidade puxando grandes troncos de árvores.

Sobre a Dra. Karina Hatano
Karina Hatano é médica do exercício e do esporte, mestre em Medicina Esportiva pela Universidade Federal de São Paulo, onde também realizou a Residência Médica em Medicina do Esporte, além de acumular especialização em fisiologia do exercício e nutrologia. Preceptora da Medicina Esportiva da Universidade Federal de São Paulo e professora da Liga de medicina esportiva da UNIFESP, também é responsável pela saúde de atletas de alta performance de diversas modalidades esportivas, como da seleção brasileira de natação e das confederações brasileiras de beisebol e softbol.

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