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Despesa efetiva em saneamento destoa do que diz presidente

OESP, Nacional, p. A4
23 de Mai de 2006

Despesa efetiva em saneamento destoa do que diz presidente

Sérgio Gobetti

Os números dos efetivos desembolsos do governo federal para a área de saneamento básico destoam do ufanismo com que o presidente Lula anunciou ontem a liberação de mais R$ 1,3 bilhão para convênios com Estados, municípios, empresas públicas e privadas. Segundo dados do Ministério das Cidades, apenas 39,4% dos R$ 7,7 bilhões contratados e disponibilizados pelo governo, entre 2003 e 2005, já foram repassados aos conveniados.

O baixo porcentual de desembolso, segundo técnicos do governo, se deve ao ritmo das obras e a alguns problemas nas licitações. O dinheiro só pode ser entregue à medida que as fases da obra são concluídas.

Em São Paulo, por exemplo, apenas R$ 263 milhões de um total de R$ 1,2 bilhão foram transferidos até o fim de 2005 - uma execução de apenas 21,7% do total previsto. O melhor desempenho é atingido em Roraima, onde 75% dos recursos oferecidos foram efetivamente usados.

Há um ano, essa situação era ainda mais grave e obrigou o Ministério das Cidades a adotar medidas para evitar um vexame no fim do governo. De qualquer forma, o volume de recursos já canalizado - R$ 1 bilhão por ano - não chega nem perto dos R$ 15 bilhões anuais que, segundo cálculos da área técnica, seriam necessários para acabar com o déficit de saneamento básico no Brasil.

PESQUISA
Levantamento divulgado ontem pela Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib), com 550 prefeitos, mostra que os municípios são a favor da atuação do Estado no planejamento de políticas e prestação de serviço de saneamento. "As divergências não existem ou são muito menores do que parecem", diz o presidente da Abdib, Paulo Godoy.

Segundo a pesquisa, feita pelo Ibope, 95% dos prefeitos e secretários consultados acham que o Estado deve atuar em conjunto com as cidades em regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e localidades que dependam da infra-estrutura dos municípios vizinhos. Além disso, 82% dos prefeitos afirmam que a iniciativa privada deve participar dos investimentos e da prestação de serviços caso o dinheiro público não seja suficiente.

OESP, 23/05/2005, Nacional, p. A4

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