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Despejo de lodo junto a Baia da Ilha Grande vai ser debatido hoje no Rio

O Globo, Rio, p.22
27 de Jul de 2005

Despejo de lodo junto à Baía da Ilha Grande vai ser debatido hoje no Rio
A preocupação é geral. Ambientalistas, parlamentares, pescadores e prefeituras da Costa Verde temem o impacto ambiental que será causado pelo despejo de 520 mil metros cúbicos de lodo nas proximidades da Baía da Ilha Grande. Já os petroleiros e metalúrgicos desejam a construção das plataformas P-51 e P-52 em Angra dos Reis, o que evitaria o desemprego de pelo menos 4 mil pessoas. Para tirar dúvidas e apontar soluções para os problemas, o Sindicato dos Petroleiros do Rio (Sindipetro) realiza hoje, em sua sede, no Centro, às 15h, um debate aberto ao público sobre o assunto.
No debate Dragagem no Estaleiro Brasfels em Angra dos Reis — O impacto sobre as populações e o meio ambiente da região”, 35 convidados representando entidades de classe, políticos e órgãos governamentais vão discutir o tema.
Licença ambiental ainda não está definida
O objetivo, segundo o coordenador da Secretaria de Saúde, Novas Tecnologias e Meio Ambiente do Sindipetro, Abílio Tozini, é esclarecer e mobilizar a sociedade para evitar um dano ambiental que comprometa a pesca, o turismo e a qualidade de vida na Costa Verde.
— Estamos apreensivos. A data para o início da dragagem é 15 de agosto e até agora nenhum órgão ambiental se pronunciou. Não sabemos onde o lodo vai ser despejado. Não queremos o dano ambiental, que é prejudicial a todos, e também não queremos que as plataformas sejam construídas em Niterói, como ameaçou o estaleiro. Isso representaria uma perda significativa de postos de trabalho na Costa Verde — destacou Tozini, que convidou representantes da Feema e do Ibama para falar sobre o processo de licenciamento ambiental da obra.
Para viabilizar a construção das duas plataformas de produção de petróleo da Petrobras, o estaleiro Brasfels precisa dragar uma área em Jacuecanga, Angra dos Reis. A área a ser dragada seria de um quilômetro de extensão por 200 metros de largura. Com esse trabalho, a profundidade na região passaria de oito para 11 metros. O volume estimado de material removido é de 520 mil metros cúbicos.
Moradores querem despejo em área mais distante
Abílio Tozini lembrou que inicialmente o estaleiro projetou descartar o lodo da dragagem dentro da Baía da Ilha Grande, hipótese já afastada devido ao grande dano ambiental que causaria. O plano B prevê o descarte ao sul da baía a 26 milhas (cerca de 48 quilômetros) da costa de Angra. Ambientalistas, moradores e o Ministério Público pedem para que o descarte seja realizado a 31 milhas (cerca de 57 quilômetros) da costa, em mar aberto e onde a profundidade chega a cem metros.

Opinião
Conciliação
A preservação do meio ambiente é tema capaz de semear divergências inconciliáveis. E como sempre, impasses irremovíveis produzem prejuízos: para o próprio meio ambiente, que fica exposto à exploração predatória; e para empresas e a sociedade, quando projetos deixam de ser executados e, portanto, não geram empregos e renda.
Por isso, é animadora a experiência em curso em Paraty. A tentativa de parlamentares de vários partidos, de sindicatos, de diversos organismos ambientais e um estaleiro de se chegar a um acordo em torno da dragagem da baía de Angra dos Reis, para a construção de plataformas da Petrobras, comprova que é possível conciliar interesses: a preservação ambiental e o crescimento econômico.

O Globo, 27/07/2005, p. 22

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