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Decisão sobre áreas de preservação ficará para os Estados

Valor Econômico, Brasil, p. A3
20 de Abr de 2012

Decisão sobre áreas de preservação ficará para os Estados

Por Tarso Veloso e Daniela Martins
De Brasília

O relatório do novo Código Florestal, divulgado ontem pelo relator Paulo Piau (PMDB-MG), deixará para os Estados, por meio do Programa de Regularização Ambiental (PRA), a definição sobre a extensão das faixas de recuperação de vegetação obrigatória em Áreas de Preservação Permanentes (APPs) desmatadas até julho de 2008, segundo antecipou o Valor.
A proposta para a recuperação das APPs, que deve votada na terça-feira, pode ser definida projeto de lei ou medida provisória do Executivo. Sem isso, o processo todo pode levar até dois anos em razão do prazo para o PRA. As regras gerais devem ser estabelecidas pela União em até seis meses após a lei. As normas específicas ficariam com os Estados.
O relator disse que o Senado errou ao querer tratar faixas de preservação nas beiras de rios para todo o país. Para ele, "não faz sentido" criar uma regra em Brasília, que definirá, de antemão, normas para todo o Brasil. "É pouco inteligente criar regras de Brasília que valerão para o país inteiro".
O relatório delega ao Poder Executivo a decisão sobre como será recomposta a mata ciliar nas margens de rios considerados de "situação crítica". Nas propriedades sem obrigação de realizar a recomposição, estão mantidos o mínimo de 30 metros e o máximo de 500 metros para as APPs, segundo a largura do rio.
O texto do Senado estabelecia que nos rios até dez metros, a recomposição seria de 15 metros. Em rios maiores, nos imóveis de até quatro módulos fiscais, isso seria correspondente à metade da largura dos cursos d'água. Acima dos quatro módulos, o Conselho Estadual de Meio Ambiente deveria ser consultado, mas a metade da largura do rio deveria ser respeitada - com mínimo de 30 metros e máximo de 100 metros.
O relator do Código no Senado, Jorge Viana (PT-AC), disse que o texto de Piau "beira a irresponsabilidade" porque "desmontou" o trabalho anterior. "É ruim para o meio ambiente e para o produtor. É muito ruim. Ele fez 21 alterações e todas elas prejudicando o meio ambiente. O produtor também continua com a insegurança jurídica", disse.
O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Moreira Mendes (PSD-RO), disse que o texto de Piau é melhor que o parecer de Viana. "O Senado melhorou bastante, mas em poucos pontos piorou. Do que piorou, Piau conseguiu minimizar o que ficou ruim", disse.
O relatório mobilizou o PT, já que o governo defende o texto dos senadores. Para evitar uma nova derrota, o PT vai mapear as mudanças feitas por Piau. A bancada discutirá o tema na terça-feira. Antes disso, vão pressionar o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), e o vice-presidente Michel Temer.

Valor Econômico, 20-22/04/2012, Brasil, p. A3

http://www.valor.com.br/brasil/2624976/decisao-sobre-areas-de-preservac…

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