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CPI sobre ação e omissão do Estado ouve a realidade Ofaié

Agora MS - http://www.agorams.com.br
29 de abr de 2016

Entre os convidados para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a Ação/Omissão do Estado de MS nos Casos de Violência Praticados Contra os Povos de 2000 a 2015 que ocorreu nesta quinta feira (24), compareceu na Assembléia Legislativa de MS, o antropólogo e historiador Carlos Alberto dos Santos Dutra, popular Carlito Dutra, que falou sobre a situação dos indígenas Ofaié, do município de Brasilândia.

O professor Carlito Dutra fez uma explanação sobre o povo Ofaié Xavante, dizendo aos deputados João Grandão, presidente da CPI, Mara Caseiro e Paulo Correia, que naquele momento "dava eco as palavras e o pensamento de uma das etnias que mais sofreu o descaso oficial aos longos dos anos, e que merecia a maior das atenções". Disse nas suas considerações iniciais que "Houve um extermínio ao longo dos anos e hoje só existem 70 Ofaié, que vivem entre outro tanto de Guarani-Kaiowá na Aldeia Enodi, no município de Brasilândia". Denunciou que hoje somente seis integrantes do grupo falam a língua Ofaié e que algo precisa ser feito para preservar e garantir que essa língua continue sendo falada pelos indígenas, tendo que em vista que ela é única no mundo.

Quanto a questão fundiária, disse que eles têm sua terra reconhecida pela Portaria 264/92 do Ministério da Justiça, porém ainda não encontra-se demarcada. "E isto precisa ser agilizado com mais celeridade pela Funai, uma vez que os indígenas precisam tomar posse deste território que há 23 anos lutam pela sua devolução". Lançou também um pedido em relação ao déficit habitacional que a aldeia enfrenta, mostrando imagens de barracos construídos de lona e refugos de lixões dentro da aldeia. "São necessárias a construção de, no mínimo, 45 novas moradias para os indígenas", pediu.

Num discurso emocionado, disse que os Ofaié em relação à Saúde, têm um alto índice de mortes ainda por tuberculose e que os mais jovens morrem agora por diabetes e pressão alta. "É preciso olhar com mais atenção para eles". Segundo o professor, estes indígenas nunca foram assistidos pelos órgãos SPI e Funai ao longo da história e somente agora, com as ações preventivas da Saúde, através da SESAI e da assistência do Estado e Município, esse quadro começa a modificar, mas que precisa ser reforçado ainda mais.

O pesquisador denunciou ainda a existência de uma estrada vicinal que atravessa a aldeia Enodi, e que ela se transformou em rota de tráfico, entrada de bebida alcoólica e abrigo de delinqüentes que refugiam-se no interior da aldeia, colocando em risco a segurança da comunidade Ofaié. Quanto a Educação pediu encarecidamente ao Estado que apoie o município na implantação na Escola Ofaié E-Inicheki que existe na aldeia e que ainda é rural e funciona somente até o 4o ano: "que ela seja elevada até o ensino fundamental". Pediu também a formação de professores indígenas, dizendo que "é alto o número de crianças e jovens que têm de estudar na cidade, o que incentiva o abandono muito cedo dos jovens da Aldeia distanciando-os dos costumes e da língua materna".

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