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Concurso de merendeiras no Pará premia receitas com farinha de babaçu

Instituto Socioambiental https://www.socioambiental.org
Autor: Isabel Harari
17 de jul de 2019

Na praça de alimentação do shopping Serra Dourada, em Altamira (PA), centenas pessoas esperavam impacientes na fila para provar tortas, bolos, vatapá, macarrão, e mais uma porção de receitas. Todas com um diferencial: o ingrediente principal era a farinha do coco babaçu.

Fruto do extrativismo dos beiradeiros e indígenas e beneficiado nas mini usinas na Terra do Meio, o babaçu foi a estrela do concurso de merendeiras de Vitória do Xingu, que encerrou a Semana do Extrativismo (Semex), realizada no início de junho. [Saiba mais]

Nove merendeiras, de um total de 38 inscritas, criaram receitas utilizando o produto, parte de uma iniciativa para impulsionar a comercialização e aceitabilidade do babaçu nos mercados institucionais.

Vitória do Xingu compra a farinha do coco babaçu com a marca "Vem do Xingu" desde 2017, e hoje 23 escolas consomem o produto. No último ano foram comercializadas 1,6 toneladas toneladas de farinha de babaçu, além de 400 quilos de uma mistura com cacau - inovação que fez sucesso no prato das crianças.

"A nossa tradição de comer o que era da floresta está passando para a merenda escolar, para as pessoas da cidade. Estão reconhecendo esse produto feito pelas nossas próprias mãos, que é possível trazer comida para todos de dentro da floresta sem desmatar. Seguimos com essa batalha: da floresta para a merenda escolar", comemora Raimunda Rodrigues, gestora da mini usina do Rio Novo, Reserva Extrativista Rio Iriri, uma das unidades que produz a farinha de babaçu. A mini usina é uma pequena fábrica de processamento de diversos produtos florestais não madeireiros, o babaçu entre eles.

A farinha de babaçu e mais dez produtos da floresta, como a castanha e a borracha, são produzidos por beiradeiros e indígenas foram comercializados pela Rede de Cantinas da Terra do Meio em 2019. Essa articulação conta com 27 cantinas, em que cada uma gerencia um capital de giro próprio que viabiliza a produção e comercialização de forma transparente e autônoma. A rede conta, ainda, com oito mini usinas.

"Os povos da floresta têm muito a nos ensinar. Parabéns para as merendeiras e para a prefeitura de Vitória do Xingu que estão no caminho de valorização de produtos da floresta", disse Marcelo Salazar, do Instituto Socioambiental (ISA), pouco antes de anunciarem as ganhadoras do concurso: Edineide da Silva, Joelma da Silva Santos e Girlene Sousa.

Edineide e a maioria das merendeiras utilizavam o babaçu para fazer mingau - que apesar de ter uma boa aceitabilidade com os alunos restringia o uso do produto. "Foi uma honra fazer outra experiência com o babaçu. A gente tem que mostrar que temos a capacidade de fazer algo a mais com o babaçu", disse.

Para a nutricionista Danielle Damasceno, a iniciativa é mais do que um exemplo a ser seguido por outras prefeituras para atender a lei que determina a compra de ao menos 30% da merenda de produtos da agricultura familiar.

"Quando aluno está comendo bolo a gente tem que fazê-lo entender o valor daquele bolo. Quando fazemos a educação alimentar nutricional nas escolas, a gente gosta de mostrar a origem dos produtos e, com certeza, de todos os produtos que tem no cardápio da alimentação escolar hoje, a farinha de babaçu é a que tem a história mais bonita", comentou.

Nutrição e floresta em pé
A farinha do coco babaçu é um substituto ao amido de milho nas receitas, com a vantagem de ser um produto da floresta, não-transgênico e sem agrotóxicos. "A farinha de babaçu é rica em ferro, rica em fibras solúveis, tem taninos, além de fibras e minerais que outros amidos puros não têm", reforça a nutricionista Neide Rigo, colunista do jornal O Estado de S.Paulo.

https://www.socioambiental.org/pt-br/blog/blog-do-xingu/concurso-de-mer…

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