VOLTAR

Concessões de usinas leiloadas até 2004 serão devolvidas

OESP, Economia, p. B14
11 de Jul de 2013

Concessões de usinas leiloadas até 2004 serão devolvidas
Oito hidrelétricas licitadas entre 2000 e 2002 e que, até agora, não saíram do papel voltarão para a União

Anne Warth / BRASÍLIA

O governo vai finalmente resolver um imbróglio de mais de dez anos que envolve oito usinas hidrelétricas leiloadas antes das mudanças no marco regulatório do setor elétrico e que até hoje não saíram do papel. As empresas que venceram as licitações, feitas de 2000 a 2002, devem desistir dos empreendimentos e devolvê-los à União, segundo fontes consultadas pelo jornal O Estado de S.Paulo. Entre elas, gigantes como Vale, Gerdau, Votorantim, Alcoa, Light e Camargo Corrêa.

Os vetos da presidente Dilma Rousseff à Medida Provisória 609, sancionada na quarta-feira, 10, frustraram as expectativas e acabaram com as esperanças das companhias de tornar as usinas economicamente viáveis, segundo fontes do setor. O objetivo do governo é licitar esses empreendimentos novamente, mas segundo as regras atuais, afirmou o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Mauricio Tolmasquim.

Até 2004, os leilões das usinas eram feitos sem licença ambiental prévia - a tarefa cabia ao empreendedor. Vencia a disputa quem oferecia o maior ágio para a taxa de Uso do Bem Público (UBP). Com o novo marco regulatório, apenas empreendimentos que já tenham o licenciamento prévio podem ir a leilão. O critério das licitações também mudou: ganha quem oferece a menor tarifa de energia.

Oito hidrelétricas (Santa Isabel, Murta, Pai Querê, São João, Cachoeirinha, Itaocara, Olho D'Água e Itumirim) ficaram no "vácuo" e tentaram viabilizar o licenciamento por conta própria. Mas, com a demora em contornar os obstáculos ambientais, perderam dez anos de receitas, de um total de 35 anos de concessão. Os agentes incluíram uma emenda na MP 609 que autorizava a recomposição do prazo da concessão e o início do pagamento das taxas apenas após a obtenção do licenciamento. Mas essa emenda foi vetada por Dilma.

Devolução. Ao mesmo tempo, e na mesma MP, o governo patrocinou uma emenda que permite a devolução das usinas e o ressarcimento dos custos que as empresas tiveram com estudos ambientais. Ela também libera os empreendedores de taxas e restitui os valores que foram depositados como garantia para a participação dos leilões. Os interessados terão que se manifestar até o dia 9 de agosto. Se todas desistirem, o ressarcimento pode chegar a R$ 100 milhões.
Tolmasquim explicou que o governo criou uma "porta de saída" para os empreendedores. "Para nós, o melhor é que essas usinas sejam devolvidas para que possamos licitá-las novamente." Juntos, os empreendimentos somam cerca de 2 mil megawatts de potência, o equivalente a Angra 1 e Angra 2 juntas.
"Essa é uma energia da qual o País não quer, e nem pode, abrir mão", ressaltou o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.
O presidente da Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia Elétrica (Abiape), Mário Menel, disse que a devolução das concessões é uma decisão que cabe a cada empreendedor. "Devolver a concessão sempre foi uma possibilidade, mas a verdade é que, agora, o governo deixou uma porta de saída escancarada para essa opção", afirmou.

OESP, 11/07/2013, Economia, p. B14

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.