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Chuva afasta risco de racionamento

OESP, Cidades, p.C3
21 de jul de 2004

Chuva afasta risco de racionamento
Total acumulado no Sistema Cantareira supera média esperada para o mês de julho

As chuvas dos últimos dias superaram as expectativas da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Em julho, no Sistema Cantareira, o volume normal de chuvas é de 42,4 milímetros. Só com a chuva de anteontem foram acumulados 43,1 mm.

Hoje, o Sistema Cantareira está com 25,2% de sua capacidade. Para o superintendente da Unidade de Negócios de Produção de Água Metropolitana da Sabesp, Hélio Luiz Castro, as baixas temperaturas colaboraram para o bom resultado. "O inverno está atípico, esperávamos um período de estiagem. As campanhas para economia de água também ajudaram no aumento do volume dos reservatórios."

O Sistema Guarapiranga também registra volume alto, 44,4% de sua capacidade.

No reservatório de Rio Claro, em Salesópolis, que abastece o extremo leste da cidade, a situação é mais animadora, está totalmente cheio.

Risco - As chuvas dos últimos dias favoreceram a melhora no nível das represas, mas também aumentaram os riscos para 27,5 mil pessoas que vivem em 192 favelas da cidade de São Paulo. Esses números integram um mapeamento feito pela Prefeitura a partir de um relatório elaborado no ano passado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), da Universidade de São Paulo.

Segundo o levantamento, São Paulo tem 522 áreas de risco de desabamento. De acordo com a Promotoria da Habitação do Ministério Público Estadual (MPE), em 2002 foi firmado acordo com a Prefeitura, em que ela se comprometeu a apresentar um cronograma de obras para resolver a situação dessas famílias e evitar deslizamentos de terra. A promotoria afirma que até hoje o cronograma não foi apresentado.

Diante da situação, desde dezembro já foram movidas contra a Prefeitura 18 ações civis públicas. "Sem esse planejamento fica impossível avaliarmos de que forma as obras em áreas de risco serão realizadas", diz o promotor da Habitação Mario Augusto Malaquias. Se o Município não elaborar o calendário estará sujeito a pagar uma multa diária de R$ 20 mil por moradia.

Segundo o secretário municipal de Subprefeituras, Carlos Zarattini, 150 áreas de cidade estão passando por obras de melhoria e 6 mil famílias de áreas de risco foram retiradas só neste ano. "A Prefeitura atua concretamente para reduzir o risco", diz. "O ministério Público só aparece quando acontece uma morte", afirma Zarattini, referindo-se ao caso da menina Ana Carolina Ferreira da Silva, de 5 anos, morta anteontem em um deslizamento de terra na zona sul.

Ontem, o Centro de Gerenciamento de Emergência (CGE) registrou um ponto de alagamento, na Ponte Cruzeiro do Sul, zona norte. Na Rua Antônio Salema, na Vila Sônia, zona sul, uma pessoa ficou levemente ferida em um deslizamento.

Segundo os meteorologistas, hoje a umidade diminui, mas o céu continua nublado na maior parte do Estado. O leste ainda terá chuva fraca, mas já com aberturas de sol. Na capital os termômetros devem variar entre 10 e 17 graus. (Natália Zonta, Camilla Haddad e Cacau Fogaça)

OESP, 21/07/2004, p.C3

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