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"Chega de barragens", diz Fórum Panamazônico

O Eco - www.oecoamazonia.com
Autor: Karina Miotto
28 de nov de 2010

Na tarde de sexta-feira (26) um dos destaques do Fórum Social Panamazônico, que acontece de 25 a 29 de novembro em Santarém (PA), foi uma caminhada pacífica de mais de 700 estudantes de várias escolas estaduais da cidade contra a construção de grandes hidrelétricas na Amazônia, seguida da organização de uma faixa humana em frente ao rio Tapajós com cerca de 400 destes jovens. A imagem formada foi da indígena Yara, figura mística que representa a proteção da floresta. Ao lado dela, havia a mensagem "rios vivos", em tecido verde. A faixa humana foi idealizada pela ONG Amazon Watch e fez parte de uma ação global encabeçada pela 350.org, na qual 188 países realizaram feitos semelhantes praticamente ao mesmo tempo, em um protesto contra as mudanças climáticas.

Durante o trajeto, os estudantes seguravam faixas com dizeres do tipo "não a grandes hidrelétricas, sim a energias alternativas" e "desenvolvimento sim, de qualquer jeito não". "O desenvolvimento econômico precisa ser sustentável. Será que tantas barragens são mesmo necessárias? Que tal se, no lugar de investimentos bilionários em hidrelétricas o governo fizesse investimentos bilionários em educação? Afinal, se o Brasil deve crescer, precisamos nos lembrar que países desenvolvidos chegaram a este ponto porque investiram em educação", dizia Tiago dos Anjos, de 20 anos, fundador da União de Grêmios Estudantes Livres (UGEL), organização responsável pela mobilização dos estudantes.

Antes da caminhada, Tiago e outros participantes da UGEL recolheram assinaturas para uma petição encabeçada pelo Movimento Xingu Vivo para Sempre com o objetivo de parar o processo de viabilização da hidrelétrica de Belo Monte. A petição está disponível via online, através do site http://www.xinguvivo.org.br

Foco em grandes obras

A programação do Fórum Social Panamazônico abrange diferentes assuntos, mas o foco parece mesmo estar na construção de grandes obras na Amazônia e em seus impactos socioambientais. Durante o primeiro dia, quatro debates giraram em torno deste tema: "O modelo energético brasileiro e o potencial da Amazônia para as fontes renováveis de energia", "barragens na Amazônia: o caso Belo Monte e a análise crítica do painel de especialistas", "a floresta em alerta: o acordo energético Brasil-Peru" e "tribunal popular das águas: hidrelétricas na Amazônia". "Esta é mais uma demonstração da preocupação da sociedade quanto a grandes obras na região e também mostra que as populações querem ser ouvidas, o que não vem acontecendo", afirmou Marcelo Salazar, do Instituto Socioambiental.

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