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Brasil tenta acordo com Bolívia para vigiar fronteira

O Globo, País, p. 7
26 de Jan de 2013

Brasil tenta acordo com Bolívia para vigiar fronteira
Encontro de ministros da Justiça dos dois países deve definir uso compartilhado de aviões não tripulados

JAILTON DE CARVALHO
jailtonc@bsb.oglobo.com.br

BRASÍLIA - Em uma tentativa de reforçar o programa de utilização dos Vants (veículos aéreos não tripulados) no combate ao tráfico na região de fronteira, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, viajará a La Paz, na Bolívia, no próximo dia 8, para fechar acordo de uso compartilhado do equipamento. O acordo permitirá que os Vants da Polícia Federal possam sobrevoar o espaço aéreo da Bolívia em operações de combate ao narcotráfico.
Esta deverá ser a última rodada de uma negociação com o ministro da Justiça da Bolívia, Carlos Romero, que vinha se arrastando há dois anos. Com os Vants, a polícia poderá fazer imagens aéreas e identificar plantações de folha de coca que extrapolam os limites permitidos pelas leis bolivianas. As informações facilitariam futuras operações de erradicação de parte destas plantações.
Para Cardozo, o cerco a áreas de produção é fundamental para o combate ao tráfico da cocaína no Brasil.
- Estamos com um bom entendimento com a Bolívia. O ministro Romero gostou da ideia. Então, eu e o diretor da PF, Leandro Daiello, estaremos em La Paz para acertar todos os aspectos para que possamos usar os Vants (na Bolívia) - disse Cardozo.
O Programa Vant foi anunciado durante a campanha eleitoral de 2010, mas até hoje está em fase preliminar. Dos dois aviões adquiridos pela PF, um só foi entregue no final do ano passado, como informou O GLOBO.
Cardozo reconhece dificuldades na implementação do programa, mas sustenta que os problemas foram sanados. Segundo ele, nas próximas semanas a PF deverá inaugurar em Brasília um centro de acompanhamento das operações do Vant.
A partir de um computador da chamada "sala de situação", policiais em Brasília poderão acompanhar as incursões dos Vants no Brasil ou em outros países da região.
A continuidade do uso dos Vants depende de um contrato de manutenção que será firmado entre a PF e a empresa que fabrica o avião. Daiello só deve assinar os papéis quando receber o aval do Tribunal de Contas da União (TCU). Cardozo disse que não é certo que o governo comprará 14 Vants, como estava previsto no plano inicial. Segundo ele, com o avanço tecnológico, talvez não seja necessária uma frota tão grande. Ele afirma que, com número menor, a PF poderia atender a demanda interna e até de outros países vizinhos.
Ele disse que, nas próximas semanas, visitará governadores dos estados que têm fronteiras com outros países. A ideia de Cardozo é avaliar a estrutura de controle e fiscalização e, se necessário, reforçar as medidas de combate ao narcotráfico, tráfico de armas e ao contrabando de mercadorias, entre outros crimes.

O Globo, 26/01/2013, País, p. 7

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