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Bispos da região vão rebater 'espionagem'

D24Am http://d24am.com
12 de fev de 2019

Bispos do Amazonas e Roraima reunidos em um encontro anual, em Parintins (a 369 quilômetros a leste de Manaus), até quinta-feira (15), incluíram no debate a polêmica tentativa do governo Bolsonaro em 'combater' pautas consideradas 'progressistas' no âmbito da Igreja Católica como garantias de direitos a indígenas, quilombolas, além de preocupação com a proteção ambiental da Amazônia.

Entre os participantes do encontro está o presidente da Regional Norte da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Mário Antônio da Silva. Os bispos devem emitir uma nota conjunta sobre a polêmica envolvendo o governo federal, antes do término do encontro.

Como parte de uma estratégia para combater a ação do que chama de clero progressista, o Palácio do Planalto recorrerá ao governo da Itália para interceder junto à Santa Sé, a fim de evitar ataques diretos à política ambiental e social do governo durante o Sínodo sobre Amazônia, que será promovido pelo papa Francisco, em Roma, em outubro.

Em nota divulgada no domingo (10), o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), sob a gestão do ministro-chefe Augusto Heleno, confirmou que existe "preocupação funcional com alguns pontos da pauta" do evento e que parte dos temas "trata de aspectos que afetam, de certa forma, a soberania nacional".

Nos 23 dias do Sínodo, as discussões vão envolver temas como a situação dos povos indígenas e quilombolas e mudanças climáticas - consideradas 'agendas de esquerda' pelo Planalto. O governo quer ter representantes nas reuniões preparatórias para o encontro em Roma.

Seminário

Entre os eventos preparativos para o Sínodo, a Fundação Amazonas Sustentável (FAS), em parceria com a Arquidiocese de Manaus e a Rede Eclesial Pan-Amazônica realizará, entre os dias 7 e 9 de março, um seminário para discutir os aspectos social, ambiental e econômico atuais da região, que deverá acontecer na sede da FAS e no auditório do Centro Arquidiocesano São José.

O seminário tem como objetivo envolver movimentos socioambientais, instituições acadêmicas, Organizações Não Governamentais (ONGs), lideranças inter-religiosas, empresariais e de instituições internacionais. Espera-se analisar e debater as tendências diante dos cenários atuais de mudanças climáticas e políticas de desenvolvimento dos governos nacionais e subnacionais, além de identificar iniciativas promissoras que possam apontar caminhos para o desenvolvimento sustentável da região e delimitar recomendações e soluções para desenvolvimento sustentável na Bacia Amazônica.

"O mundo tem acompanhado as mudanças climáticas e a urgência dessa agenda. O sínodo sobre a Amazônia é uma mensagem para todos nós sobre a importância de cuidarmos da casa comum, e nada mais justo que as populações tradicionais estejam nesta agenda", disse o superintendente-geral da FAS, Virgílio Viana.

Para o arcebispo de Manaus, dom Sergio Castriani, este é um evento importante para a região e para a igreja que se preparou durante todo o ano de 2018 com as consultas aos fiéis para saber sobre as necessidades da população urbana e rural da Amazônia, com os indígenas e ribeirinhos.

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