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Base aliada negocia flexibilização do Código Florestal

OESP, Vida, p. A17
13 de Jun de 2012

Base aliada negocia flexibilização do Código Florestal
Bancada ruralista quer margem maior para que produtores de médio porte desmatem, o que contraria veto da presidente Dilma

EDUARDO BRESCIANI / BRASÍLIA

A base aliada ignorou a orientação da presidente Dilma Rousseff e segue negociando uma flexibilização no texto da medida provisória do novo Código Florestal para beneficiar produtores rurais de médio porte. Ontem, a comissão mista que analisa a MP marcou para 4 de julho a apresentação do relatório do senador Luiz Henrique (PMDB-SC). A intenção era que o assunto não fosse discutido durante a Rio+20, evitando constrangimento ao governo.
A presidente desautorizou o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, a falar sobre o tema, mas parlamentares do PT e do PMDB afirmam que haverá mudança na chamada "escadinha" para a recomposição de áreas devastadas nas margens de rios. Ontem, a comissão mista que analisa a medida provisória marcou para o dia 4 de julho a apresentação do relatório do senador Luiz Henrique (PMDB-SC).
A recomposição das áreas devastadas nas margens de rios foi a principal alteração promovida pela presidente em relação ao texto do Congresso.
Dilma criou uma regra para beneficiar produtores com áreas até 4 módulos rurais, reduzindo a área a ser reflorestada.
A bancada ruralista quer agora estender esse tratamento especial aos produtores de médio porte. Pelo texto do governo, quem tem de 4 a 10 módulos rurais precisa recompor 20 metros de vegetação nas margens de rios de até 10 metros de largura e de 30 a 100 metros nos que possuem largura superior a 10 metros.
Entre os ruralistas há o desejo de criar novas faixas com recomposição menor para estes produtores ou reduzir para até 15 metros em rios menores, como já está previsto para produtores de 2 a 4 módulos rurais.
Um dos petistas da comissão afirma que a negociação será aberta para facilitar a aprovação da proposta pela Câmara. Ele acredita que a presidente já saiu vencedora no debate e uma concessão "respeitando princípios" não afetaria o discurso de Dilma.
Para um deputado peemedebista, a mudança na recomposição nas margens de rio isolaria os radicais e seria suficiente para dar a vitória ao governo.
O relator tem evitado se posicionar sobre o mérito, mas confirmou que o tema está em debate. "Os médios produtores já foram tratados de forma diferenciada, mas vamos ver as emendas e verificar se há possibilidade (de mudança)", disse Luiz Henrique.
Para evitar que a discussão se amplie, retomando o embate entre ruralistas e ambientalistas, a comissão decidiu ouvir em audiência pública apenas representantes do governo federal, entre eles cinco ministros, o que causou protesto de deputados.

OESP, 13/06/2012, Vida, p. A17

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,base-aliada-negocia-flexibi…

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