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Apelo de indígena urbano

Estadão - http://www.estadao.com.br/
Autor: Gonçalo Júnior
08 de out de 2012

As penas do cocar de Adriano Veríssimo Silva deixaram a 381.ª zona eleitoral, em Parelheiros, com um colorido diferente. Acima da cabine de votação, espetavam tons de laranja, azul e amarelo que o índio guarani usa apenas em ocasiões especiais, como o nascimento da filha, Verônica. Ontem, ele também tirou o enfeite da gaveta. "O voto é uma esperança de que as coisas podem melhorar", diz o líder da aldeia de 1,3 mil índios Tenondé Porã que moram em uma reserva na zona sul de São Paulo, e não são obrigados a participar das eleições.

No voto de Adriano estão impressos os desejos por novas práticas de lazer e esporte e, sobretudo, um apelo. "Não é só o índio da Amazônia que precisa de apoio. Nós, da cidade, também", acrescenta, sem entregar o nome de seu prefeito.

A exemplo de outros índios urbanos, a aldeia de Karaipoty (esse é o nome indígena de Adriano) se equilibra entre duas canoas culturais, com um pé na ancestralidade e outro nos modos de vida dos não índios. A aldeia vive da pesca, caça, artesanato e dos projetos de proteção ambiental. Por outro lado, mesmo que "democracia" não exista na língua guarani, a maioria da tribo votou ontem e adota, há mais de 20 anos, a eleição direta para cacique, o líder máximo da aldeia.

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